3 de outubro de 2016 • 9:38 pm

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Resultado das eleições revela tragédia petista nas urnas brasileiras

Operação Lava Jato foi fator decisivo para o fracasso do partido nas eleições

Por: Da Redação
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A derrocada do PT nas eleições deste ano teve o carimbo real da Operação Lava Jato. O partido tentou de alguma forma dar resposta nas urnas mas foi completamente rejeitado pelo eleitorado brasileiro, que colocou a legenda como a grande perdedora do processo eleitoral. O grande nome petista nestas eleições era, sem dúvida, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, candidato a reeleição que foi derrotado logo no primeiro turno. O resultado surgiu como uma tragédia na vida petista.

Fernando Haddad: demitido nas urnas.

Fernando Haddad: demitido nas urnas.

Mais do que perder 60% dos seus 630 prefeitos e ser derrotado em primeiro turno em São Paulo – capital onde Fernando Haddad pretendia renovar o mandato – o eleitor impôs ao PT outras derrotas simbólicas. A maior delas foi a não reeleição do filho do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo. No berço do partido criado pelo pai, Marcos Lula da Silva só foi capaz de conquistar singelos 1.504 eleitores depois de ter recebido entre três e quatro mil votos nas duas eleições em que foi vitorioso.

Outras figuras importantes do PT foram derrotadas nas próprias bases eleitorais, como a senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR). Em Londrina, Gleisi e seu marido Paulo Bernardo – réus na Lava Jato – não conseguiram votos suficientes nem mesmo para eleger um vereador. Londrina é a terra eleitoral do casal e já teve quatro vereadores petistas entre 2001 e 2004. Entre eles André Vargas, que depois se elegeu para dois mandatos como deputado federal, até ser cassado por quebra de decoro em 2014, quando da Polícia Federal descobriu suas relações comerciais com o doleiro Alberto Youssef na Operação Lava Jato.

Dos quatro governadores do PT, apenas o do Acre, Tião Viana, conseguiu superar as dificuldades enfrentadas pelo partido, principalmente nas grandes cidades, e eleger o prefeito da capital. Em Rio Branco, o vencedor ainda no primeiro turno foi o engenheiro Marcus Alexandre, que renovou o mandato na prefeitura e conseguiu 54,8% dos votos válidos.

Os governadores de Minas Gerais, Piauí e Bahia, todos petistas, não conseguiram influenciar o eleitorado para eleger seus candidatos. O deputado petista Reginaldo Lopes ficou em quatro lugar na disputa em Belo Horizonte, o terceiro colégio eleitoral do país, e não pode contar com o governador Fernando Pimentel, mais ocupado em se defender das acusações de crime eleitoral no pleito de 2014.

O governado da Bahia, Rui Costa, que está no terceiro mandato do PT no governo estadual, nem mesmo conseguiu indicar um nome do partido para disputar a Prefeitura de Salvador. Na falta de um petista com chances, Costa apoiou a escolha da deputada Alice Portugal, do PCdoB. Mas ela não resistiu à avalanche de votos de ACM Neto, que ganhou ainda no primeiro turno. O governador também amargou derrotas nas maiores cidades do estado. Nem mesmo a força política dos dois mandatos do ex-governador baiano Jaques Wagner, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, ajudou no desempenho do PT na capital baiana.

No Piauí, a dificuldade do PT nestas eleições municipais se repetiu. Em Teresina, foi eleito já em primeiro turno o tucano Firmino Filho. Assim como aconteceu na Bahia, na capital piauiense o governador não teve como indicar um candidato do próprio PT para concorrer às eleições e apoiou Amadeu Campos, do PTB. Em Maceió, o PT não conseguiu eleger nenhum vereador

 

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