11 de outubro de 2017 • 4:47 pm

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Robin Hood às avessas: Mais impostos para cobrir os rombos da corrupção

No período de doze meses, nossa carga tributária, que já é uma das mais altas do mundo, teve um crescimento nominal de 8%.

Por: Fátima Almeida
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Em um país onde a corrupção é latente, a desconfiança na classe política é gritante, por que acreditar que poderíamos ter uma carga tributária mais branda? Nunca, enquanto se pensar que é a classe produtiva – empregados e empregadores da indústria, comércio e serviços – que devem pagar a conta cada vez mais alta dos desmandos praticados pelos mandatários do poder político e econômico! Pasme! Cada brasileiro trabalha 29 dias por ano para pagar a farra da corrupção. O Governo é uma espécie de Robin Hood às avessas, que tira do suor dos pobres trabalhadores para sustentar os vícios dos mais abastados que enriqueceram às custas do erário.

Mas, vamos aos números

No período de doze meses (de 14/09/2016 a 14/09/2017), alavancada pelos impostos estaduais, a nossa carga tributária, que já é uma das mais altas do mundo, teve um crescimento nominal de 8%. É o que diz um levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Pra quem acha que é pouca coisa, no último dia 14, em valores reais, a marca chegou a R$ 1,5 trilhão arrecadado em tributos municipais, estaduais e federais. No mesmo período de 2016 chegou a R$ 1,39 trilhão, o que já não foi pouco num país onde se trabalha quase a metade do ano só para pagar impostos. Hoje, o impostômetro já passava de R$ 1,65 trilhão.

EM ALAGOAS

O impostômetro contabilizou hoje em Alagoas R$ 7.6 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais. Maceió sai na frente com com R$ 419 milhões, seguido de Arapiraca, com a marca de R$ 47 milhões. Marechal Deodoro já passa dos R$ 20,7 milhões; Palmeira dos Índios, mais de R$ 9 milhões; e Penedo mais de R$ 3 milhões.

O estado de Alagoas colabora com 0.46% da arrecadação total do país, segundo o levantamento da ACSP.

Na avaliação do presidente da Associação e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Alencar Burti, em informações divulgadas pela entidade, o efeito da inflação, a retomada econômica e a recuperação do consumo levaram ao aumento da tributação (e consequente da arrecadação), porque o ICMS é o principal imposto dos estados e incide sobre as vendas do varejo e serviços públicos como energia e gás.

Para se ter uma ideia, basta dar uma olhada na conta de luz para perceber a alta carga tributária que eleva o valor a pagar. No Brasil, 44,5% (quase a metade) do preço final da tarifa de energia é pra pagar imposto. É a segunda maior carga tributária do mundo sobre a conta de energia. Perde apenas para a Dinamarca.

CUSTO BENEFÍCIO

Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mostra que, neste ano, o brasileiro terá que trabalhar 153 dias só para pagar tributos, ou seja, cinco meses e dois dias (de 1º de janeiro até 2 de junho) – quase a metade do ano. A pesquisa mostra que o peso dos impostos nos rendimentos – salários e honorários – aumentou muito nos últimos anos: hoje se trabalha o dobro do que se trabalhava na década de 70 para pagar a tributação. A escala histórica mostra que nos anos 70 eram trabalhados, em média, dois meses e 16 dias para pagar tributos; na década de 80, dois meses e 17 dias; e na década de 90, três meses e 12 dias. Hoje, são 5 meses e 2 dias de trabalho para  Governo, para um retorno ínfimo.

O Brasil é o 8º país na escala dos que têm a maior carga tributária. Ao comparar a quantidade de dias necessários para pagar impostos, taxas e contribuições, IBPT mostra a Dinamarca em 1º lugar, com 176 dias de trabalho; a França, com 171 dias; a Suécia e a Itália, com 163 dias, cada; a Finlândia, com 161 dias; a Áustria, com 158 e a Noruega, com 157 dias, vindo, em seguida, o Brasil.

A grande diferença está no retorno dos tributos, em forma de serviços públicos à população. Num estudo realizado pelo IBPT, em 2015, sobre a relação entre a carga tributária e os benefícios que dela retornam para a sociedade – considerando os 30 países onde se pagam mais impostos no mundo – o Brasil era o que proporcionava o pior retorno dos valores arredados, em benefício da sociedade.

Quer um dado que dói mais do que isso? Segundo cálculos do IBPT, a corrupção consumiu 29 dias de trabalho de cada brasileiro, ou seja, cada um de nós teve que pagar 29 dias de trabalho só para cobrir os rombos causados pela corrupção.

É mole? Não!

É dureza: É Brasil!

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