25 de maio de 2016 • 8:22 pm

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Sarney gravado na trama política para barrar a operação Lava Jato e derrubar Dilma

O ex-presidente prometeu se envolver no processo para barrar Lava Jato e evitar prisão de Machado pelo juiz Moro

Por: Da Redação
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O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado envolve agora o ex-presidente da República José Sarney (PMDB) em diálogos por ele gravados e com conteúdo principal referente às investigações da Operação Lava Jato, tendo o impeachment da presidente Dilma Rousseff como pano de fundo.

Sarney: Mais uma gravado.

Sarney: Mais uma gravado.

Na conversa telefônica, Sarney promete ao ex-dirigente que o ajudará a evitar que seu inquérito seja transferido para a primeira instância, em Curitiba, onde as investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobras são conduzidas pelo juiz federal Sérgio Moro. Mas o trabalho seria feito “sem meter advogado no meio”, ressalva o cacique peemedebista.

Na gravação, feita em março, Sarney vislumbra o futuro e manifesta preocupação com uma eventual delação premiada de Machado, o que acabou por se confirmar. “Nós temos é que fazer o nosso negócio e ver como é que está o teu advogado, até onde eles estão falando com ele em delação premiada”, diz o peemedebista. Na sequência, Machado diz que estavam em curso à época rumores de que sairia colaboração judicial, possibilidade suscitada na Procuradoria-Geral da República.

“Mas nós temos é que conseguir isso [o pedido de Machado sobre o local do inquérito], sem meter advogado no meio”, emendou Sarney, repetindo essa última sentença por três vezes. Machado assentiu e disse que “advogado não pode participar disso”, também repetindo expressões como “advogado é perigoso” e de “jeito nenhum”.

Embora fique claro de que a conversa é sobre a Lava Jato, informa a Folha, não fica claro, no conjunto de áudios em poder do jornal, qual seria a estratégia de Sarney para ajudar o interlocutor. No entanto, o modus operandi inclui conversas com Renan Calheiros e Romero Jucá. Segundo os diálogos, a saída para a complicada situação dos investigados teria de ser não apenas jurídica, mas também política. Nesse sentido, Machado pede a Sarney uma reunião deles com o presidente do Senado.

“E o Romero também está aguardando, se o senhor achar conveniente”, sugeriu Machado, ouvindo de Sarney que o encontro não era conveniente. “Não? O senhor dá o tom”, resignou-se o ex-presidente da Transpetro.

Sarney deixa claro, no entanto, a disposição em não deixar o inquérito de Sérgio Machado seguir para os cuidados de Moro. “O tempo é a seu favor. Aquele negócio que você disse ontem é muito procedente. Não deixar você voltar pra lá [primeira instância da Justiça, em Curitiba]”, acrescentou o político veterano.

 

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