16 de dezembro de 2015 • 2:49 pm

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Saúde pública: Falta vacina, falta larvicida e respeito aos direitos do cidadão

Pessoas que precisam de imunização cumprem maratona e não encontram medicamento.

Por: Fátima Almeida
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antirrabicaAcompanhamos, hoje, por um grupo do Wathsaap, a penúria de uma cidadã em busca da vacina e do soro antirrábica nos postos de saúde de Maceió e de outros municípios alagoanos. Márcia Sarmento Rodrigues, residente no bairro de Bebedouro, foi mordida por um cachorro de rua, ontem à tarde. E desde então, peregrina em busca do antídoto contra a transmissão da raiva – uma doença grave que pode matar em quase 100% dos casos – e que já fez uma vítima fatal em sua família.

A saúde pública tem obrigação de dispor a medicação gratuitamente, nas unidades de saúde. Mas Márcia não encontrou, nem nos postos, nem nos hospitais, nem em clínicas particulares, pet shops, farmácias, clínicas veterinárias – nada! E procurou não apenas em Maceió. Ligou para postos e secretarias de saúde do interior – Rio Largo, Marechal Deodoro, União dos Palmares, Anadia, Coruripe, Maribondo… Nada! Somente a resposta unânime de que o produto está em falta há alguns meses.

Na unidade Noélia Lessa, na Praça das Graças, ela diz que foi informada sobre uma lista de espera com centenas de pessoas precisando ser imunizadas, mas lá também não tinha nem a vacina nem o soro.

“Estou desesperada. O cachorro fugiu e não sei se ele estava doente. Já perdi uma pessoa da minha família com essa doença. É um absurdo deixarem faltar esse tipo de vacina. O cidadão fica na iminência de contrair uma doença grave como a raiva, que pode matar, e o Estado parece não estar nem aí para o problema”, reclama Márcia Sarmento.

A falta do produto – fornecido pelo  Ministério da Saúde – foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde. O último lote, com 1.200 doses, foi recebido em outubro. Em novembro a vacina não chegou, e somente ontem, segundo a assessoria da Sesau, chegou um lote com apenas 300 doses – insuficientes para cobrir a demanda, até porque cada pessoa mordida por um animal, tem que tomar pelo menos cinco doses da vacina.

ANTITETÂNICA 

E não é só a vacina antirrábica que ficou desabastecida nas unidades de saúde pública do Estado. A vacina DT (contra difteria e tétano), também sumiu e tem casos de pessoas que tiveram que procurar em outros estados.

E há poucas semanas a imprensa também noticiou a falta de larvicida para combate ao Aedes aegypti – mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e do temido zika vírus, apontado como o causador da epidemia de casos de microcefalia no Brasil. Em plena ascensão da doença, o inseticida que combate o vetor ficou em falta por quase três meses, inviabilizando o tratamento de criatórios do mosquito.

Voltou a ser distribuído no final do mês passado, embora em quantidade inferior à demanda.

Em nota, a Secretaria da Saúde informou que a vacina antitetânica também já voltou a ser distribuída na capital e municípios alagoanos. Com relação à antirrábica, que chegou em pequena quantidade, as doses estarão endo encaminhadas aos postos de saúde ainda hoje, segundo informou a Sesau.

Informou, também, que a área técnica da Secretaria está, diariamente, em contato com o Ministério da Saúde para que novas remessas sejam enviadas a Alagoas, de forma a evitar novos desabastecimentos.

Tomara!!! Mais do que respeito aos direitos individuais do cidadão, é uma questão de saúde pública.

 

1 Comentário

  1. Aqui é Márcia Sarmento Rodrigues Câmara! É inacreditável! Estou desde de ontem nessa peregrinação e NADA! Isso não pode acontecer! O povo espera tanto pelas doses da vacina antirrábica , quanto pelo soro! Essas 300 doses não atendem nem aos que foram mordidos por cães aqui em Maceió. como fica a situação dos outros municípios??? Fica aqui o meu REPÚDIO!

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