16 de junho de 2016 • 11:46 am

Política

Segundo delator, Transpetro pagou R$ 54 milhões aos senadores Renan, Jucá, Aécio e Sarney

Parte dos recursos foram doações oficiais de campanhas; mas outra parte foi dinheiro ilícito, disse Machado

Por: Fátima Almeida
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Ilustração / Internet

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O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado disse, em oitiva de delação premiada, que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) receberam, juntos, um total de R$ 54 milhões em repasses originados de contratos da Transpetro com empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato. Parte dos valores, segundo Machado, eram em forma de doações oficiais de campanha, mas outra parte era fruto de atividades ilícitas descobertas pela Polícia Federal na Petrobras.

De acordo com a delação, Renan Calheiros teria recebido ao todo R$ 32 milhões (somando propina, dinheiro em espécie e doações oficiais). Segundo reportagem publicada pelo Congresso em foco, ele revelou, também, que os repasses ao presidente do Senado começaram entre 2004 e 2005. Já o senador Romero Jucá recebeu um total de R$ 21 milhões por meio de repasses periódicos e doações oficiais, disse Machado. Por sua vez, ainda segundo a delação, o senador Aécio Neves recebeu R$ 1 milhão ilicitamente na eleição de 1998, em um esquema que movimentou um total de R$ 7 milhões para tentar eleger pelo menos 50 deputados federais e viabilizar a candidatura do tucano para a presidência da Câmara, no ano de 2000.

O ex-presidente José Sarney também recebeu propina, segundo Machado. Ao todo foram desviados R$ 18,5 milhões de contratos para beneficiar Sarney.

Além dos senadores, Sérgio Machado disse, segundo o Congresso em Foco, que outros 19 políticos de seis partidos (PMDB, PT, PP, DEM, PSDB e PSB) receberam propina via Transpetro. O PMDB foi a sigla que mais se beneficiou do esquema, com uma arrecadação de R$ 100 milhões, segundo o delator.

As pessoas citadas pelo delator, negam participação no esquema.

Por meio de nota divulgada pelo Congresso em Foco, o senador Aécio Neves (PSDB), afirmou que as acusações “são falsas e covardes”, e que Sérgio Machado “no afã de apagar seus crimes e conquistar os benefícios de uma delação premiada, não hesita em mentir e caluniar”.

Lembrou também que em 1998, sequer se cogitava a sua candidatura à presidência da Câmara dos Deputados, o que só ocorreu muito depois”.

Também em nota, Renan Calheiros disse que “jamais recebeu recursos de caixa dois ou vantagens de quem quer que seja.  Todas as doações de campanhas eleitorais ocorreram na forma da Lei, com as prestações de contas aprovadas pela Justiça”.

Disse, também, que “não conhece Felipe Parente e nenhum dos filhos de Sérgio Machado.”, e colocou-se à disposição para quantos depoimentos forem necessários.

 

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