13 de janeiro de 2016 • 3:41 pm

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Sem donos, casas da Reconstrução viram cidade fantasma, em Atalaia

Mais de 500 casas do Conjunto Deus é Fiel ainda não foram entregues. Metade das unidades está destruída e sem condições de habitabilidade

Por: Fátima Almeida
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Conjunto habitacional virou um cemitperio de casas (Foto: Fátima Almeida)

Conjunto habitacional virou um cemitério de casas (Foto: Fátima Almeida)

Uma cidade fantasma. Ruas inteiras; quase 300 casas construídas para as vítimas da cheia de 2010, que causou destruição e mortes em 19 municípios alagoanos, continuam sem dono, no município de Atalaia. Elas foram concluídas, mas nunca foram entregues às família cadastradas, que perderam tudo na enchente.

Sem moradores, sem fiscalização e sem compromisso do poder público, as moradias foram depredadas por vândalos que levaram tudo: portas, janelas, louça sanitária, telhas, madeira… e a esperança de famílias que perderam tudo na cheia e se apegaram, nos últimos 5 anos e meio, à promessa de recuperar pelo menos a moradia.

A demora na entrega gerou impaciência e provocou invasões das casas. Dotado de 520 unidades habitacionais, o Conjunto Deus é Fiel foi ocupado em 2012, e desde então, mesmo com a reintegração parcial conseguida pela Caixa Econômica, a obra da reconstrução não mais avançou.  Só o abandono e as depredações que destruíram tudo. 

Hoje, existem apenas as paredes ocas, cercadas pelo mato. Um retrato autêntico de uma cidade morta, relegada ao desleixo dos que são pagos para administrar e dar a destinação adequada ao que é feito com dinheiro público.

De acordo com a Caixa Econômica Federal, no conjunto existem 260 unidades habitacionais em obras e 260 invadidas. Nenhuma foi entregue até agora. Ainda de acordo com a instituição, foram aferidos, em dezembro de 2015, 83,24% de obra executada no conjunto habitacional. Não é o que se vê no local. Quem envereda pelo caminho que vai dar na Usina Uruba, reativada no final do ano passado, no município de Atalaia, depara-se com a cena chocante de um ‘cemitério’ de casas sem teto, sem portas e sem dono.

Caixa diz que entrega será neste semestre (Foto: Dárcio Monteiro)

Caixa diz que entrega será neste semestre (Foto: Dárcio Monteiro)

São exatamente as 260 unidades que a Caixa conseguiu reintegrar, das 520 que foram invadidas em 2012.

Em novembro passado, quando a Usina Uruba foi reinaugurada, várias autoridades públicas do Estado, inclusive o governador Renan Filho, passaram ou sobrevoaram o local onde ficam as moradias. Mas aparentemente o cenário não chamou a atenção de nenhum deles. Pelo menos não houve qualquer manifestação pública sobre a situação. 

Para a Caixa Econômica, as unidades depredadas, que foram reintegradas, são consideradas “em construção” e a conclusão da obra “está prevista para 1º semestre de 2016”. Mas diante das evidências no local, não é fácil acreditar na firmeza dessa projeção.

Quanto às outras 260 moradias que continuam ocupadas por invasores, a assessoria da Caixa afirma que “serão realizados os procedimentos de reintegração de posse, vistoria para levantamento e quantificação dos danos, solicitação de recursos extras e execução das obras para posterior entrega”.

Quando será? Ninguém sabe.

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