19 de setembro de 2017 • 2:24 pm

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Sem luz: O fim do túnel da corrupção parece distante

O esquema do diagnóstico falso de glaucoma, atentando contra a saúde de pessoas inocentes nos leva a refletir: De que é feito o ser humano?

Por: Fátima Almeida
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Uma das principais causas de cegueira no Brasil é o glaucoma, a silenciosa doença que avança e leva à perda total de visão em poucos meses enquanto, geralmente, a vítima acha que é apenas um incômodo temporário, uma deficiência visual normal, um problema que pode ser resolvido com um simples óculos.

Mas não é!

E quando você acha que já viu tudo em questão de corrupção, canalhice e falta de respeito e sensibilidade humana, vem a descoberta de quadrilhas que atuam em vários estados – inclusive Alagoas – fornecendo disgnósticos falsos da doença para lucrar com a venda de colírios fornecidos pelo SUS – ou seja, com dinheiro público.

A descoberta que havia sido feita pela Polícia Federal na Operação Hoder, deflagrada em 13 de junho, nos estados de Alagoas, Sergipe, Bahia e Goiás, e que que resultou na prisão de três pessoas – incluindo um médico – vem se confirmando com novos exames que descartam o diagnóstico na maioria dos casos. E causa espanto a quantidade de pessoas que vinham utilizando o tal colírio, sem a menor necessidade, por causa de um diagnóstico falso. Pessoas de todas as idades, inclusive crianças e, principalmente pessoas idosas, prejudicando sua saúde oftalmológica, quando pensavam estar se tratando da suposta doença.

Imagem ilustrativa – Reprodução internet

Foi assim em Marechal Deodoro – das 167 pessoas diagnosticadas e reavaliadas, 21 não apresentaram sintomas de glaucoma. Muito pior em Paulo Jacinto – dos 188 pacientes diagnosticados, 151 foram reavaliados e 90 deles tiveram o tratamento suspenso porque não têm a doença. Ainda falta investigar o restante dos municípios alagoanos.

Quem ganha com isso? Os responsáveis pelos exames e, provavelmente, alguns responsáveis pela distribuição do colírio fornecido pelo SUS e, sabe-se lá quem mais, na estrutura administrativa que gerencia esses programas e esses medicamentos – que custam, em média, R$ 200 a unidade no mercado comum.

Como eles ganham? O sujeito diagnosticado com a doença recebia o colírio prescrito pelo médico, mas em quantidade menor do que o declarado. A sobra era vendida para engordar a conta bancária dos integrantes do esquema – ou da gangue, como achar melhor.

Repito aqui a frase do superintendente da Polícia Federal em Alagoas, diante desse crime que envolve estelionato qualificado, atentado à saúde do cidadão e outras coisas mais: “O que causa mais repulsa e indignação é o diagnóstico de glaucoma em indivíduos sadios”.

E completo, pedindo licença ao radialista França Moura, para usar um jargão por ele repetido fartamente em seu programa de rádio:

De que é feito o ser humano?

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