15 de fevereiro de 2016 • 6:33 pm

Interior

Sem terra resistem e evitam despejo do assentamento São José em Atalaia

A luta pela terra no São José é considerada emblemática por que nesse acampamento dois lideres do MST já foram assassinados

Por: Da Redação com Assessoria
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A ordem de despejo do acampamento São José, localizado na fazenda São Sebastião em Atalaia-AL (45 km de Maceió), que aconteceria nesta segunda-feira, 15,  foi suspensa, após processo de negociação entre as autoridades e os movimentos sociais, diante da iminência de graves conflitos durante o cumprimento da demanda judicial.

Resistência pela terra

Resistência pela terra/Fotos Gustavo Marinho

As movimentações da Polícia Militar cercando o acampamento com a cavalaria acirrou os ânimos no local e e dirigentes da Central Única dos Trbalhadores foram chamados para mediar a situação. No local, além de batalhões da PMAL estavam várias ambulâncias, o que indicava que muita gente sairia ferida de um provável embate.

O MST fez diversas mediações com as instâncias do poder público, no sentido de apelar para o bom senso e à justiça social com aquele território e com as famílias acampadas. O próprio Ministério Público Federal, segundo o Movimento, questiona a posse ser entregue a família requerente da reintegração de posse, pois o falecido requerente (Pedro Batista) tinha contrato de arrendamento formal com a massa falida da Usina Ouricuri.

Com a trégua estabelecida, diante da suspensão da ordem judicial os dirigentes do MST consideraram a decisão uma primeira vitória na luta pela pelo acesso às terras da parea ocupada. José Roberto, da Direção Nacional do MST disse que foi “uma vitória para o movimento evitando o despejo e o agravamento da situação dessas famílias”, conclui.

Contra o despejo, os sem terra mobilizaram várias entidades no acampamento SãoJosé, entre os quais a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), a Via do Trabalho, o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), entre outros. Também somaram forças, os sindicatos dos trabalhadores da educação e dos bancários, bem como a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Acampamento São José

Acampamento São José

O dirigente da CUT, Izaac Jackson disse que  “o valor dessa resistência é imensurável: é um marco pela historia de resistência de cada um de vocês dos assentados na fazenda São José”.

O acampamento São José foi criado em 2004, quando da primeira ocupação da fazenda São Sebastião, rodeada de outras áreas que também pertenceram à Usina Ouricuri e que viraram assentamentos através da luta dos trabalhadores rurais. A disputa por terras na região, já deixou marcas violentas com o assassinato de Chico do Sindicato e José Elenilson (em 1995 e 2000, respectivamente).

Onde agora se localiza o acampamento, foi executado a tiros a mando de fazendeiros da região, o dirigente estadual do MST, Jaelson Melquíades. Todos os casos permanecem impunes até hoje.

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