2 de junho de 2016 • 8:11 am

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Senadores ameaçam reverter o impeachment e Temer oferece cargos

Resultados da Lava Jato e os afagos dos Planalto aos Senadores serão decisivos para o processo

Por: Da Redação
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O presidente interino Michel Temer começou uma articulação política para evitar que um grupo de senadores desista do afastamento de Dilma Rousseff no julgamento final do processo de impeachment, em fase final de tramitação no Senado. Nesta quarta-feira (1º), Temer recebeu no Palácio do Planalto José Maranhão (PB), Edison Lobão (MA) e João Alberto (MA), todos do PMDB e mencionados em listas de parlamentares ainda em dúvida sobre a saída definitiva da petista.

Senadores são chamados para negociar.

Senadores são chamados para negociar.

Lobão foi ministro de Minas e Energia de Dilma, votou a favor do afastamento da petista na decisão sobre a admissibilidade do processo, mas resiste à saída definitiva da ex-chefe. Em menor grau de resistência, Maranhão também está em dúvida sobre o impeachment, apesar de ter votado a favor da abertura do processo. João Alberto votou pela permanência da petista no cargo. Na sessão do Senado que admitiu o afastamento temporário de Dilma, em 12 de maio, 55 senadores votaram a favor, apenas um além do número mínimo exigido pela Constituição.

Acompanhados do ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Geddel Vieira Lima, os senadores Maranhão, Lobão e João Alberto passaram algumas horas em uma sala ao lado do gabinete de Temer e tratavam do assunto com o chefe interino do Executivo entre uma audiência e outra. Quando Temer precisava receber visitas, Geddel se encarregava de continuar a conversa para garantir os votos dos três congressistas, no sentido de convencê-los a avalizar a saída definitiva de Dilma Rousseff da Presidência da República.

Fragilidade – O senador Hélio José (PMDB-DF) também foi recebido ) pelo ministro Geddel. As dúvidas do parlamentar assustaram o ministro. “Dei um voto técnico quando fui a favor da admissibilidade do processo, mas os argumentos do relatório da comissão processante sobre as pedaladas fiscais e o crime de responsabilidade são frágeis”, argumentou José.

Os parlamentares que estiveram com Temer e Geddel reconhecem que a votação final do afastamento de Dilma dependerá muito das articulações políticas entre o Planalto e o Senado, e do que a Operação Lava Jato trouxer de informações nos próximos meses. “Teremos quatro meses de grandes emoções”, disse Hélio José ao Congresso em Foco

Romário – A preocupação do Planalto aumentou no início desta noite, quando o senador Romário (PSB-RJ) renunciou à sua vaga na comissão processante do Senado, colegiado com 20 integrantes que julga a presidente afastada e autorizou o envio do processo ao plenário com o apoio de 15 senadores. Além de Romário, aparecem na lista de possíveis votos contra a saída definitiva de Dilma os senadores Cristovam Buarque (PPS-DF) e Acir Gurgacz (PDT-RO). Os dois votaram pela abertura do processo, mas podem mudar de opinião.

O senador Petecão (PSD-RO), que também admitiu a abertura de processo, também é contabilizado como parlamentar em dúvida sobre o afastamento definitivo de Dilma. Ele tem dito a alguns colegas que, se o ministro Gilberto Kassab, presidente do seu partido, não atender às suas reivindicações de compartilhar a gestão da pasta com as bancadas de deputados e senadores da legenda, não se constrangerá em votar pelo retorno da presidente ao cargo.

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