19 de outubro de 2016 • 3:24 pm

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Silêncio e medo no parlamento em Brasília, após prisão de Cunha

Apenas um parlamentar do DEM se habilitou a fazer a defesa de Cunha em plenário.

Por: Da Redação
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O silêncio tomou conta do Congresso Nacional, em Brasília, após a prisão de Eduardo Cunha, ex-deputado federal cassado por corrupção. A conversa que passou a rolar foi exatamente a possibilidade de Cunha fazer delação premiada e derrubar mais da metade do parlamento, inclusive, o governo de Michel Temer, de quem o ex-presidente da Câmara foi uma espécie de capitão mor.

A notícia da prisão foi dada por um dos principais adversários de Cunha, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). Ele foi ao microfone do plenário da Câmara anunciou a prisão. O relógio marcava 13h36 desta quarta-feira (19) durante a sessão que votava emendas ao projeto que altera as regras de exploração do pré-sal. Não houve um só comentário. O silêncio foi constrangedor. O clima de medo se instaurou entre os aliados.

Só cerca de meia hora depois outros adversários de Cunha foram aos microfones e começaram a falar sobre o assunto. Um deles chegou a dizer que esta quarta marca o início do fim do governo de Michel Temer (PMDB), aliado de Cunha.

“Hoje é um dia histórico. O dia de hoje, 19 de outubro de 2016, é o começo do fim do governo Michel Temer. Eu duvido que um homem como Eduardo Cunha, acostumado a tomar os melhores vinhos, a visitar os melhores hotéis, a comer os melhores pratos, a desfrutar dos melhores sabores da vida, aguente a prisão em Curitiba sem fazer delação premiada”, discursou Sílvio Costa (PT do B-PE).

Ele ironizou, afirmando que “muitos parlamentares” e “muita gente no Palácio do Planalto” estaria aumentando a encomenda de tranquilizantes após a notícia da prisão de Cunha.

O único a falar em tom destoante foi o deputado Alberto Fraga (DEM-DF), segundo quem a oposição não deveria comemorar pois o próximo a ser preso pode ser o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O governo está em silêncio porque o Brasil está mudando e vai continuar a mudar. A Polícia Federal e o Ministério Público continuam investigando e quem cometeu seus crimes vai pagar por eles. E hoje foi o Cunha, mas amanhã pode ser o Lula. E espero que essa tribuna não seja usada para show de pirotecnia. Vai ter muito mais prisão do lado de lá do que do lado de cá”, disse o deputado do DEM, aliado de Cunha.

 

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