7 de Janeiro de 2017 • 3:13 pm

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Situações de caos nas prefeituras levam prefeitos a medidas extremas

Na primeira semana dos novos gestores municipais teve de tudo. Verdadeiras bombas encontradas levaram a atitudes radicais ou inusitadas dos prefeitos. Vamos conferir.

Por: Fátima Almeida
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Banheiros na beira do rio foram destruídos em Pão de Açucar (Foto: Rogério Lima)

Na primeira semana dos novos gestores municipais teve de tudo. Verdadeiras bombas encontradas – algumas no sentido literal da palavra – levaram a atitudes radicais ou inusitadas dos prefeitos, para chamar a atenção sobre a situação das prefeituras. Alguns decretaram emergência, outros fecharam para balanço – de verdade – e outros tiveram que chamar a polícia.

Na maioria das cidades, a herança não é nada animadora, e os prefeitos eleitos sabiam disso. Falta de dinheiro, salários atrasados, contas em aberto com fornecedores são situações presumíveis num cenário de crise de que tanto se fala. Mas poucos contavam com depredações, sumiço de documentos contábeis e até bombas escondidas nos prédios da prefeitura.

Em alguns lugares o trabalho vai ser árduo para quem chega com vontade de consertar – e até acreditamos que alguns são, realmente, movidos por esse desejo de acertar.

Bem ou mal, muitos botaram a boca no trombone, nos últimos dias, e cada um do seu jeito, mostrou as broncas encontradas.

LACRADA 

Em Pão de Açucar, o prefeito Flávio Almeida (PMDB) surpreendeu lacrando a sede da prefeitura logo após tomar posse. Segundo ele, o ambiente encontrado foi de vandalismo. Disse, em entrevista no programa do radialista e blogueiro Adalberto Gomes, que havia lixo por todo lado, papeis picotados espalhados pelo chão, móveis e maquinários quebrados ou saqueados e denunciou o sumiço de documentos dos setores de licitação, contratos e folha de pagamento. Um verdadeiro caos.

No mesmo dia ele mesmo deu a marretada inicial para derrubar uma galeria de banheiros públicos localizados na margem do rio. A retroescavadeira fez o resto do serviço.

DINAMITE

Em Colônia Leopoldina, a transição virou caso de polícia. A equipe do novo prefeito encontrou bananas de dinamite misturadas a equipamentos detonadores, armazenados no prédio da Secretaria de Infraestrutura. Uma verdadeira bomba. A polícia foi acionada pelos novos gestores da cidade e agora quer saber como aquele material, controlado pelo EXército, foi parar ali, nas prateleiras de um depósito municipal, de onde ele veio e qual a finalidade. Há dois meses a agência do Banco do Brasil de Colônia foi explodida com dinamite.

Será?…

MORATÓRIA

Em Arapiraca, o prefeito Rogério Teófilo (PSDB) nem esperou o primeiro dia útil do ano. No mesmo domingo da posse assinou decretos reduzindo em 40% o número de cargos comissionados e suspendendo temporariamente os pagamentos de despesas do exercício de 2016 e anos anteriores. Até mesmo os salários – dezembro e 13º  – foram postergados para análise das contas da prefeitura. Após uma semana, o pagamento do décimo foi anunciado para este sábado (7). O salário de dezembro continua pendurado.

Não se sabe até quando.

EMERGÊNCIA

Em Maragogi, prefeito Sérgio Lira (PP) decretou Situação de Emergência Administrativa, por prazo de 60 dias, logo no primeiro dia de trabalho, diante do caos encontrado nas contas públicas. Com isso, ele toma um fôlego para compra emergencial de medicamentos, gêneros alimentícios, materiais de limpeza e outros insumos para órgãos da administração municipal, de consumo, até que se realize o procedimento licitatório.

AMEAÇA

O mesmo procedimento foi adotado pelo prefeito de Campestre, Nielson Mendes (PMDB), alegando não ter recebido informações sobre contratos com fornecedores e prestadores de serviços e a necessidade de adquirir de imediato – em caráter emergencial – insumos para fazer funcionar a máquina administrativa. Ele disse que recebeu prédios em ruínas, inclusive o da prefeitura, inaugurado com pompas no final da gestão passada, mas cujo telhado segundo ele, ameaça desabar. O prédio foi fechado para nova reforma.

ROMBO

Em Palmeira dos Índios, o prefeito Júlio Cezar (PSB), deve decretar emergência financeira nesta segunda-feira. Um dos motivos é um rombo de aproximadamente R$ 50 milhões que ele diz ter encontrado na prefeitura, ao tomar posse no cargo. Isso inclui, segundo declarou à imprensa, desvio de recursos do FGTS e da Previdência, dívidas com a Eletrobras e Casal e com outros fornecedores e prestadores de serviços.

VALEI-ME DEUS

A coisa tá feia. E com esse quadro, a primeira reunião da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) com os novos prefeitos, na manhã desta segunda-feira, deve se transformar numa  lamúria só. E que ninguém estranhe se algum gestor alagoano se inspirar.
no prefeito Jairo Magalhães (PSB), do município de e Guanambi, na Bahia, que no desespero da situação encontrada, baixou Decreto entregando “a chave  da  cidade  ao  Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Só Deus na causa!

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