28 de abril de 2016 • 12:28 am

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Tensão à vista: Juiz determina, mas policiais civis não desocupam o Porto

PM é convocada a ajudar no cuprimento da decisão. Grevistas estão acampados no local há dois dias

Por: Fátima Almeida
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O amanhecer desta quinta-feira pode ser tenso, na região central de Maceió. O juíz de Direito Henrique Gomes de Barros determinou, hoje à noite, a reintegração de posse do Porto de Jaraguá, onde os grevistas da Polícia Civil de Alagoas estão acampados desde o final da manhã de terça-feira (26).

A decisão foi em resposta a um mandado de segurança impetrado pela administração do Porto, que está parado há dois dias, com os portões fechados e as vias de acesso bloqueadas pelo Sindpol, e para garantir que seja cumprida pelo Oficial e Justiça, o juiz manda acionar o Secretário de Segurança do Estado,  o Comandante Geral e o Centro de Gerenciamento de Crise da Polícia Militar.

Ou seja, será polícia x polícia. E isso pode ser muito perigoso, se não for tratado com a cautela que o caso requer. É preciso prudência – de todos os lados.

Na própria decisão de reintegração de posse, a preocupação com o que o seu cumprimento pode causar fica evidente no texto do juiz Henrique Gomes, ao recomendar às autoridades de Segurança “que tomem todas as precauções necessárias a fim de evitar qualquer tipo de violência no cumprimento da mesma – por tratarem-se de policiais que estão no local – no intuito de proteger a própria população que se encontre ou resida nos arredores”.

MULTA E RISCO

Apesar da decisão judicial, o Sindpol mantém o acampamento no local, segundo foi confirmado às 23h desta quarta-feira, pelo presidente da entidade, Josemar Melo. Ele disse que ainda não foi notificado e que os policiais civis vão passar a noite no local, como fizeram na terça-feira. E disposição não falta. Alentados pelo grende poder de mobilização, que levou maos de 500 pessoas à assembleia e à passeata realizadas na terça-feira, antes da ocupação do Porto, os sindicalistas se sentem fortalecidos.

E a categoria não quer retroceder; perder esse momento; enfraquecer a luta, nem diante do grande prejuízo financeiro que virá por aí.

No início da tarde, outra decisão judicial tentou amortecer a mobilização dos policiais, que estão parados desde o dia 19 deste mês. Em liminar concedida ao Estado, o desembargador Alcides Gusmão manteve a declaração de ilegalidade da greve, já declarada em decisão anterior, do desembargador Washington Luiz, e dobrou para R$ 10 mil o valor da multa diária estabelecida contra o Sindipol, em caso de descumprimento.

O Sindicato resolveu correr o risco. “Estamos aqui aguardando uma contraproposta do governo às nossas reivindicações”, disse o presidente Josemar. Ontem à noite, os grevistas receberam, no acampamento, a visita dos secretários coronel Lima Junior, de Segurança Pública, e Christian Teixeira, do Planejamento e Gestão, mas, segundos os sindicalistas, sem nenhuma proporta congreta para uma negociação.

PREJUÍZO PARA TODOS

Do lado de fora, uma fileira de caminhões carregados de açucar, fertilizantes e outros produtos continua aguardando para descarregar a mercadoria que será embarcada em navios para seu destino comercial.

Outras dezenas de caminhões tanque também esperam para transportar o combustível que abastece os postos de Maceió e do interior. Se o fechamento do Porto durar mais um dia, o risco de desabastecimento é iminente. Muitos donos de postos já confirmaram que estão com o estoque no final.

O prejuízo calculado pela administração do porto, deviso à paralisação involuntária das tividades, é de aproximadamente 100 mil dólares por dia. Nessa conta, o administrador Ricardo Leoni coloca todos os agentes e elementos da economia que passam pela instuição: os exportadores, transportadores, os navios que esperam para serem carrgeados e seguir viagem; os caminhoneiros que esperam para descarregar mercadoria; a administração do porto que não recebe pelos serviços, e Fazenda Pública, que deixa de arrecadar.

 

 

 

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