27 de Abril de 2015 • 3:45 pm

Maceió

organizadas poderão voltar aos estádios se cumprirem medidas de controle

Deve ser publicada, amanhã, no Diário de Justiça Eletrônico (DJE) uma decisão que vai permitir que as torcidas Mancha Azul e Comando Alvirrubro possam voltar a frequentar os estádios de…

Por: Roberto Boroni
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caio loureiro

Diretores das organizadas se comprometem em cumprir uma série de medidas e retorno aos estádios deve acontecer em breve (Foto: Caio Loureiro)

Deve ser publicada, amanhã, no Diário de Justiça Eletrônico (DJE) uma decisão que vai permitir que as torcidas Mancha Azul e Comando Alvirrubro possam voltar a frequentar os estádios de futebol em Alagoas. O desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), já tem em mente quais as providências necessárias para que isto aconteça, medidas estas que  foram consensualmente definidas com líderes das organizadas em audiência nesta segunda-feira (27).

O desembargador adianto que a decisão deverá, de imediato, liberar o funcionamento das sedes das organizadas, porém o retorno delas aos estádios só será permitido após a implantação das medidas de controle. Entre as principais determinações deverão estar as seguintes:

– A Federação Alagoana de Futebol fará o cadastro dos integrantes das torcidas. Os integrantes só poderão entrar no estádio portando uma carteirinha específica, vinculada a um banco de dados eletrônico, disponibilizado para a Polícia e o Ministério Público de Alagoas (MP/AL). Torcedores menores de idade só farão parte das torcidas se autorizados pelos pais ou responsáveis.

– Para os clássicos entre CRB e CSA, as torcidas devem providenciar transporte próprio para evitar confusões nos coletivos de Maceió. O itinerário das torcidas deverá ser comunicado à polícia, já a entrada no Rei Pelé, em dia de clássico, deverá acontecer com uma hora de antecedência.

– A torcida Comando Alvirrubro deverá ser formalmente instituída, pois hoje a organização não tem existência legal.

– Será criada uma comissão permanente de controle das torcidas, composta por Ministério Público, Judiciário, Polícia Militar e torcidas organizadas.

– O estádio Rei Pelé deverá ter salas para revista íntima de torcedores, a ser feita por amostra, pela Polícia Militar, afim de evitar a entrada de drogas.

– As torcidas estarão proibidas de entoar cantos ofensivos à Polícia.

Tutmés Airan explicou que o Juizado do Torcedor deve fiscalizar o cumprimento das determinações. “[Se as medidas forem descumpridas], vamos analisar caso a caso o grau de infringência. Eu espero que isso não precise acontecer, mas se for necessário, a gente aponta no caminho da extinção”.

O desembargador afirmou ainda que não espera que as medidas resolvam toda a problemática, mas amenizem bastante a situação. “Nacionalmente tem se construído um caminho semelhante, e nós vamos tentar trilhar por esse caminho. A expectativa é que isso reduza substancialmente o nível de violência.”

Líderes das torcidas saíram satisfeitos

Alan Eudes, diretor da Comando Alvirrubro, considerou a audiência produtiva. “A extinção não é o adequado hoje, porque prejudica a Polícia, a torcida e o clube. Acho que o mais viável é a volta das torcidas e a criação desse elo entre todas as partes envolvidas: a Federação, o Juizado do Torcedor, os clubes. Esse trabalho tem de ser feito, porque todos vamos sair ganhando”.

O presidente da Mancha Azul, Vanderli Nunes, garantiu que a organizada irá “virar a página” e “selar a paz”. “Nós vamos seguir tudo o que for acordado e o componente que for pego bagunçando e sair desse acordo, vamos afastar ele”, assegurou.

Críticas à imprensa

O vice-presidente da Mancha Azul, Sandro Vasconcelos, acredita que a mídia acaba incentivando os conflitos ao destacar em excesso a violência. “A mídia passa isso de manhã, de tarde e de noite, a semana toda, enquanto o lado positivo da torcida não é mostrado. Isso faz com que aquele torcedor que pensa em confusão, vá ao estádio para praticar confusão”.

“Acho que a mídia tem o poder tanto de aumentar a violência como de ajudar a acabar, mostrando o lado social da torcida, mostrando a festa em si que a torcida faz e não só a violência”, opinou o dirigente da Mancha.

Polícia Militar

O comandante do Policiamento da Capital (CPC), tenente-coronel Marcos Sampaio Lima, ressaltou que o cadastro facilitará o trabalho da PM quanto a identificação de criminosos. Ele acredita que as medidas surtirão efeito.

“A gente sabe que a extinção por si só não representa o fim da violência nos estádios, então foi uma decisão muito sábia e a gente passa ter o controle efetivo sobre a existência dessas torcidas”, afirmou o coronel Sampaio.

O Ministério Público Estadual participou da reunião, representado pelo procurador Valber Valente, que atua na 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça.

Suspensão

As atividades das torcidas e o ingresso delas nos estádios foram proibidos no dia 8 de abril, por decisão do desembargador Tutmés Airan. A medida teve caráter cautelar, no âmbito de uma apelação interposta pelo Ministério Público, requerendo a extinção das torcidas.

Fonte: Ascom TJ/AL

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