12 de agosto de 2017 • 1:18 pm

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TRT-BA abre licitação para assessorar corridas e caminhadas de magistrados

Processo será aberto no dia 22 deste mês, conforme aviso publicado no Diário Eletrônico do Tribunal de Justiça do Trabalho

Por: Fátima Almeida
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Parece piada, trollagem, fake, essas coisas e notícias falsas que hoje em dia se multiplicam e propagam na internet. Mas não é. Está no Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (Salvador), na página 3, edição nº 2.347, do último dia 7, o Aviso de Licitação tipo Pregão Eletrônico, nº 051/2017, “cujo objeto é a contratação de empresa com qualificação profissional e com experiência para assessorar magistrados e servidores em aulas de corrida e caminhada”.

Isso mesmo!

O TRT da 5ª Região vai contratar – e pagar com dinheiro público – uma empresa para ensinar juízes, desembargadores e servidores da Justiça do Trabalho a dar uma corridinha ou fazer uma caminhada. É o que diz o texto da llictação, como todas as letras, como reproduzimos acima.

A sessão de abertura do processo nº 7585/2017 está marcada para o dia 22 de agosto, às 13h – http://www.trt5.jus.br/arquivo_diario/diario170807-capital.pdf

Um acinte, né não? Isso dói na alma do cidadão; dos pobres mortais que trabalham duro, pagam impostos e aprendem sozinhos a correr, para chegar cedo no trabalho, cumprir jornada intensa e às vezes voltar pra casa caminhando porque não têm o dinheiro do transporte.

Será que a situação por lá é diferente da maioria dos tribunais de Justiça, onde juízes e desembargadores, além de um bom salário, gozam de privilégios diversos em forma de auxílios – moradia, saúde, alimentação, vantagens pessoais, vantagens eventuais e outros penduricalhos que engordam ainda mais os vencimentos?

Tentei tirar essa dúvida, acessando o portal da transparência do TRT da 5ª Região para verificar o salário dessa gente. No mês de julho, o rendimento líquido dos magistrados daquele tribunal variou entre R$ 21 e R$ 51 mil. Eu disse LÍQUIDO – já com a soma de todas as vantagens e a redução de todos os encargos, inclusive os redutores do limite constitucional. Apenas dois ou três magistrados tiveram rendimentos líquidos abaixo dos R$ 20 mil.

É… Talvez não dê para cada um pagar, do próprio bolso, sua ‘aula’ de caminhada.

Quando a gente pensa que já viu de tudo no Poder Público, há sempre uma maneira de nos surpreender.

De forma negativa, é claro!

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