29 de agosto de 2016 • 9:15 pm

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Um novo olhar: No sistema prisional, um pequeno modelo do que pode dar certo

Unidade diferenciada oferece tratamento humanizado e oportunidades reais de ressocialização. Pena que que seja uma exceção e não regra.

Por: Fátima Almeida
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Núcleo Ressocializador - modelo (Foto: Jorge Santos)

Núcleo Ressocializador – modelo (Foto: Jorge Santos)

Há esperança no sistema prisional. E quem me diz isso são as notícias sobre a existência de uma unidade avançada de reeducação, que funciona no antigo presídio Rubens Quintella, interditado pela Justiça em 2007, por falta de estrutura. O prédio passou por adaptações e melhorias estruturais, ganhou salas de aula, e se transformou no Núcleo Ressocializador da Capital (NRC), uma unidade modelo, que realiza um trabalho diferenciado com presos de bom comportamento.

SELEÇÃO – No local, vivem, atualmente, 115 detentos, em condições reais de ressocialização. E de hoje até o dia 8, cerca de 100 reeducandos de várias unidades prisionais de Alagoas serão avaliados, concorrendo ao preenchimento de mais 40 vagas no NRC.

CRITÉRIOS – Comportamento, vínculos familiares, interesse pelo trabalho e pelos estudos são alguns critérios que somam no processo seletivo realizado pela Secretaria da Ressocialização e Inclusão Social (Seris). Os custodiados interessados serão avaliados por uma equipe multidisciplinar formada por assistentes sociais, psicólogos e agentes penitenciários dos setores de Segurança e Serviços Penais do Núcleo, e da equipe de Inteligência da Seris, para saber se têm perfil para admissão.

ACOMPANHAMENTO – Lá, o comportamento de cada reeducando é acompanhado e avaliado diariamente. Só fica quem respeita as regras. E estudar, trabalhar e tratar os outros com respeito está entre elas. Caso contrário, são devolvidos à unidade prisional de origem – diz a assessoria da Seris.

REINCIDÊNCIA – O projeto inovador existe há cinco anos e é inspirado num modelo existente na Espanha, que separa os custodiados por classificação, oferecendo vantagens para aqueles que têm um bom comportamento. E pelo jeito tem dado bons resultados, por aqui. Segundo a chefe do núcleo, Geórgia Hilário, enquanto a média nacional de reincidência criminal dos apenados que passam pelo sistema prisional brasileiro chega a 70%, entre os egressos do NRC não chega a 5%.

O SONHO – Aprovado no Prouni, depois de 20 anos sem estudar, o reeducando Alexandre Araújo, sonha em ingressar na carreira jurídica quando sair do presídio. “Estou traçando minhas metas e se Deus quiser realizarei meu objetivo. Quando alguém acredita em você, mesmo numa situação difícil há esperança. A educação abre possibilidades, estou focado e até aprendi a fazer poesia. O passado não poderei mudar, mas meu futuro será diferente. Eu vou sair daqui e quando sair serei advogado”, concluiu.

Que o modelo se multiplique em ações e resultados

Asim sendo, dá até para acreditar, né não?

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