10 de dezembro de 2016 • 9:55 am

Brasil

Vídeo: Relator da reforma da previdência chama aposentados de vagabundos

Alceu Moreira apresentou paracer favorável a reforma da previdência em menos de 24 horas.

Por: Da Redação
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Escolhido relator da reforma da Previdência na Câmara, texto cujo propósito central é remodelar a aposentadoria e demais direitos previdenciários, o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) classificou como “vagabundo remunerado” o segurado atingido pela medida provisória (MP 739/2016) que visava alterar a concessão de benefícios pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tornando mais rígidas as regras para o acesso ao auxílio-reclusão e ao salário-maternidade, por exemplo.

Alceu Moreira: vagabundos.

O assunto chegou a ser discutido em plenário, mas a tramitação da matéria não foi concluída até 4 de novembro, quando a MP perdeu a validade, levando o governo a rediscutir a questão por meio de projeto de lei.

Em 24 de outubro, ao subir à tribuna do plenário para discutir a matéria, Alceu Moreira atacou o que chamou de “vagabundização remunerada” e provocou um bate-boca com a líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali (RJ), com reprimenda do deputado Gilberto Nascimento (PSC-SP). “Aviso aos navegantes: o tempo da vagabundização remunerada acabou! Nós vamos, certamente… Não adianta gritar. É que dói. Vagabundo remunerado não receberá”, discursava o peemedebista, quando ouviu os primeiros protestos de Jandira.

“Olha o respeito aos trabalhadores!”, interveio a deputada. “Eu dispenso o seu conselho”, devolveu Alceu Moreira.

Veja no vídeo:

Membro da bancada ruralista, Alceu Moreira é um dos principais porta-vozes do governo Michel Temer na Câmara. O presidente é considerado ficha suja porque, no pleito de deputado em 2014, fez doações acima do teto legal a ele e ao colega de bancada, o também gaúcho Darcísio Perondi. De acordo com o processo ensejado pelo Ministério Público Eleitoral, Temer doou R$ 100 mil aos membros do ala oposicionista radical do PMDB quando o partido ainda era parceiro da gestão Dilma. Ambos votaram a favor do impeachment da petista em 17 de abril.

“Tudo o que não presta” – Alceu Moreira protagonizou outro momento polêmico ao lado do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), que aparece em vídeo equiparado índios, quilombolas, gays e lésbicas a “tudo o que não presta”, em um evento no Rio Grande do Sul. O deputado, que preside a Frente Parlamentar da Agricultura, foi denunciado na Corregedoria da Câmara por quebra de decoro parlamentar, e na Procuradoria-Geral da República por incitação ao crime e à violência.

No vídeo, Alceu Moreira também faz duras críticas a Gilberto Carvalho e ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica e que defende os indígenas. Ele, no entanto, não foi alvo de representação da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos. “O chefe dessa vigarice orquestrada tá na antessala da Presidência da República. E o nome dele é Gilberto Carvalho, é ministro. Ele e seu Paulo Maldos [secretário de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência] estão por trás dessa baderna, dessa vigarice. Está o Cimi, que é uma organização cristã, que de cristã não tem nada, que está a serviço da inteligência americana e europeia para impedir a expansão das fronteiras agrícolas do Brasil”, afirmou o deputado.

Alceu Moreira também convocou os produtores rurais a se defenderem. “Nós, os parlamentares, não vamos incitar a guerra, mas vos digo: se fardem de guerreiros e não deixe um vigarista desse dar um passo em sua propriedade. Nenhum.” O peemedebista diz ser vítima de “exploração de natureza política”.

Tempo recorde – Na última quarta-feira (7), Alceu preparou e apresentou em 24h, um tempo recorde, o relatório sobre a reforma da Previdência enviada pelo governo na véspera. O parecer, favorável, está pronto para votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, antes de seguir para discussão em plenário. O governo tenta votar a matéria o mais rapidamente possível.

“Fizemos um relatório de mérito a partir de dois dias de discussão e hoje pela manhã concluímos o texto. Eu já tinha anteriormente parte do texto do governo para ir fazendo o estudo de assessoria técnica. Então, entrega hoje e lê amanhã”, declarou o deputado, negando que tenha atuado apressadamente.

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