5 de julho de 2015 • 9:19 am

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Zeca Lopes, a filha brava e o genro frouxo, segundo o Considerado

Seu Zeca Lopes, o Lopinho, era uma espécie de ‘coronel’  sem farda e sem arma no bairro do Prado. Na esquina da Primeiro de Maio com a Agnelo Barbosa costumava…

Por: Pequeno Polegar
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Seu Zeca Lopes, o Lopinho, era uma espécie de ‘coronel’  sem farda e sem arma no bairro do Prado. Na esquina da Primeiro de Maio com a Agnelo Barbosa costumava se reunir com a vizinhança para jogar conversa fora e jogar de verdade.

Havia sempre uma turma com dominó, gamão e outras modalidades. Mas seu Zeca entrava sempre nas partidas de gamão. Era um craque.

Moleque de calças curtas, Considerado vivia rondando a área para tentar entender alguma coisa dos jogos. Só  aprendeu a jogar “porrinha”.  Aí o menino é ladrão até hoje.

Mas, nessa época o Considerado sentava à calçada também por que gostava de ficar vendo as bonitas filhas de seu ‘ Lopinho’, em fins de tarde, quando chegavam da faculdade.

O homem fez tantos filhos que quando estavam todos reunidos enchia um ônibus e ainda ficava gente em pé.

Certo dia em uma reunião de filhos, genros e noras, em volta de uma grande  mesa,  todos  se fartando com a fritada de siri preparada com o tempero inigualável de Dona Zizi, seu Zeca percebe que um dos genros estava meio cabisbaixo. O jovem já era um médico conceituado.

O dono da casa anda para um lado, vai para o outro, e fica a observar o genro tentando entender algo, mas sem querer se meter.

De repente aparece ao lado dele o Considerado. O sujeito era abelhudo desde criança. Sem meias palavras, provocou:

– Seu Zeca, viu como o doutor está triste?

– Que história é essa menino?

– O senhor não está vendo, ele nem sequer tocou na comida.

– Sei disso não. Vá lá comer também que eu sei que você está com fome.

Claro que essa era a deixa que o menino esperava para chegar junto à mesa. Mas o velho ficou meio encucado e passou a observar mais.

Um monte de genros na algazarra, contadores de piadas e o doutor, que era um gozador emérito, estava lá quietinho parecendo uma flor em estado de tristeza. O homem resolveu tirar a história a limpo. Aproximou-se e perguntou ao mais barulhento:

– Tudo em ordem por aqui Macedo?

– Tudo bem seu Zeca, a não ser nosso amigo aí que parece está triste.

– E o que foi que houve?

– Brigou com sua filha e está pensando em deixá-la.

– É só isso?

– É seu Zeca.

– Meu filho, saiba que mulher não se deixa. Se arruma mais!

A filha, brava, protestou:

– Que é isso papai, que coisa feia!

– E ele tocou fogo: – Olhe, não existe mulher braba; o que existe é homem frouxo!

Assim, o doutor levanta a cabeça e se entrega:

– E eu sou o primeiro seu Zeca!

 

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