18 de janeiro de 2020Informação, independência e credibilidade
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A elite que demoniza a política é quem mais dela se beneficia

Ou o discurso contra corrupção de uma elite mais que corrupta

A elite brasileira impôs à sociedade como um todo um discurso de demonização da política com um objetivo nítido de dominação. Ela financia os políticos, corrompe loiros, negros e pardos e se beneficia disso claramente.

As bancadas do Congresso Nacional, quase em sua totalidade, são custeadas pela força do poder econômico que não faz isso à toa. Tem, propriamente, uma razão de ser que pode ser traduzida em benesses imediatas e futuras.

Então essa onda da demonização, criada de forma estratégica para massificar, corre os quatro cantos e atrai adeptos, muitos deles desavisados em sem noção do que está por trás.

O apetite dessa gente é insaciável. Quanto mais dinheiro e poder, mais sede de beber na fonte. Assim as instituições públicas precisam ser controladas, para que possibilitem o favorecimento dos seus negócios, com regimes tributários privilegiados, créditos avantajados e subsidiados e regulação de araque nas agências fiscalizadoras.

Ora, problemas de desemprego, saúde, educação e até do dinheiro da feira semanal não dizem respeito à elite. Isso é com a turma do andar de debaixo.

A preocupação, na verdade, está no fato de propor uma reforma trabalhista que retire direitos dos seus empregados. Sejam eles de sua usina, loja, fábrica, escritório ou da empregada doméstica. Preocupação até de acabar com a justiça trabalhista.

Portanto, é essa elite que demoniza a política e que também elege seus preferidos para o parlamento por necessidade de manutenção do seu status. Os eleitos pensam igual e cumprem à regra o que ela determina, exatamente para se beneficiar dessa política tão ralhada.

Mas, quem é essa elite? São camadas da sociedade com rendimentos suficientes que mantém a família em alto padrão, via de regra, até a terceira geração, conforme o IBGE.

Mas, há também os alienados. Ou sejam, pequenos burgueses, donos de cantinas, mercadinhos, microempresários, da fabriqueta de tijolos, grileiro de uma gleba de terra, enfim, agregados ao pensamento elitista (que pousam de) e por isso abraçam o título como se tal fossem.

Eis aí, portanto uma turma que fala grosso de corrupção e vive a praticá-la no cotidiano. Respeitam as leis quando essas lhes favorecem. Fazem um rito de vida na base do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

É essa elite que vai aos políticos alinhados buscar os melhores empregos para si e os seus. Geralmente no serviço público e de preferência que não precisem ir lá. Apenas recebam o dinheiro em conta. E entenda-se como os seus os filhos, sobrinhos, netos, esposas, esposos, amantes, etc.

Quem se der ao trabalho de pesquisar os tribunais -qualquer um deles – vai perceber isso claramente. É histórico.

E aí o discurso contra a corrupção não é por acaso. Para fortalecê-lo e assegurar bem os interesses da causa é preciso o apoio popular, que muita vezes sai da gente do andar debaixo, completamente sem alcance da realidade.

E assim a nossa consagrada elite mantém a tradição e segue fazendo o baile.

Tal como na ilha fiscal.

 

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