4 de julho de 2020Informação, independência e credibilidade
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A indústria da multa no fim de ano e o inferno de Dante na Transguard

A desumanidade na gestão de agentes e gestores de depósito que a SMTT e o MP não vêem

A fábrica de multas e seu sistema de maus tratos ao contribuinte em Maceió

Sexta-feira, 30, 6 horas da manhã. Uma dona de casa sai em seu automóvel para encontrar duas amigas que haviam chegado de Salvador e estavam na rodoviária de Maceió, onde vieram passar o reiveillon.

Ao receber as visitantes e tentar guardas as bagagens na mala do carro chega um agente da SMTT e pede a documentação do veículo e da condutora. Ouve depois a notificação de que estava irregular e que o carro seria removido ao depósito. A irregularidade fora identificada no IPVA do carro ano 2019.

Sem choro nem vela, as autoridades de colete amarelo chamaram um reboque que já estava próximo e mandaram recolher o carro ao depósito de uma firma terceirizada pela Superintendência Municipal de Trânsito (SMTT). No nome da empresa é Transguard.

De volta à residência, de Uber, a proprietária do veículo regularizou o que tinha de pendências e, às 10 horas, do mesmo dia chegou ao depósito da dita empresa contratada pela Prefeitura para liberar o seu carro.

Foi aí que presenciou o inferno de Dante, exatamente na parte do purgatório dentro dessa Trasguard. Um mar de arrogância, prepotência, descaso e incompetência sistemática domina a área, que se notabiliza exatamente como uma fábrica. Mais precisamente, a indústria da multa em operação.

Na Transguard não se vê gerente, nem dono, nem representante legal da SMTT para qualquer tipo de orientação. Há apenas duas moças na recepção. Uma loira trajada a lá terceiro reich, que apenas olha a colega do lado sentada ao computador, tentando atender a centenas de pessoas por um sistema de senhas atormentado, mas sem conseguir da respostas em tempo hábil a ninguém.

Lá, tudo gira em torno do lucro. Do computador só saem boletos para os contribuintes, como convém a indústria da multa já denunciada em verso e prosa, mas que o Ministério Público finge que não existe.

Idosos, deficientes, gestantes, entre outros necessitados de atendimento preferencial, para a Transguard não existem. A loira do lado de sotaque estranho anuncia a todos: “Não peguem ficha preferencial por aqui demora mais”.

O cúmulo do absurdo aconteceu com uma jovem mãe, acompanhada de um filho de 6 anos e grávida de 8 meses. Ela teve seu carro, um Peugeot, multado e guinchado para o depósito pelos agentes da SMTT por conta de uma parada em um lugar qualquer não permitido no centro da cidade. A senhora não era alagoana. Estava só, como no mato sem cachorro.

Ela chegou às 11h30 começou a ser atendida depois das 14 horas. Isso depois que desesperou e desabou no choro compulsivo. A criança vendo o sofrimento da mãe também desabou aos prantos. Houve indignação de algumas pessoas que resmungavam contra o governo municipal. Passaram a exigir um tratamento decente para aquela senhora que estava sozinha e sem apoio.

Praticamente, nada foi feito. A resposta da moça que trabalhava na mesa do computador é que nada poderia fazer por que tudo dependia do sistema. Arranjaram-lhe um copo com água. Talvez, para amainar o tratamento estupidamente desumano.

Enquanto isso, a senhora do carro apreendido às 6 horas da manhã, na rodoviária, conseguiu sair da irresponsável Transguard às 14h40, após pagar uma taxinha ao depósito no valor de R$ 292,00.

A imagem que fica é que no final do ano alguém precisa faturar um pouco mais para atender uma série de interesses. Uns, de ordem legal, mas outros totalmente inconfessáveis.

Que a SMTT aja, atue, fiscalize e cobre pelos seus serviços. Mas não tem o direito de contratar uma empresa para tratar o contribuinte como um bando de animais jogados em uma estrebaria.

É descaso, é irresponsabilidade, é jogo sujo. O maceioense não merece.

 

2 Comments

  • Avatar Iracema Ferro

    A SMTT é a caixa registradora da prefeitura, semelhante à Secretaria de Finanças, mas esta pelo menos tem respaldo legal

  • Avatar Fatima Almeida

    Excelente texto. É, de fato, um desserviço à população, a contratação de empresas terceirizadas que apenas visam o lucro, sem o menor compromisso com o cidadão, que de fato paga para ter serviço público de qualidade e merece respeito.

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