14 de dezembro de 2019Informação, independência e credibilidade
Cinema

“A Vida Invisível” e o cabide do banheiro feminino do Cine Arte

Uma crítica (quase) sem spoiler

A atriz Fernanda Montenegro, em “A Vida Invisível”, de volta à cena do Oscar.

Falar sobre “A Vida Invisível”, por onde começar?  Talvez pelo cabide de três lugares do banheiro feminino do Cine Arte Pajuçara, em Maceió.  Um detalhe que passaria despercebido, não fosse eu ter saído da sessão impactada, sensível, à flor da pele.

Fui ver o filme, do diretor Karim Aïnouz, com uma amiga jornalista. Duas mulheres maduras, “sem marido” em frente à telona, vendo uma história da década de 50 sobre  duas irmãs cheias de sonhos, abortados, separadas pelo preconceito.

Estrelado por Carol Duarte, Julia Stockler, e presenteado com a magnífica participação especial de nada menos que Fernanda Montenegro, “A Vida Invisível” é, de cara, paradoxalmente revelador.

Um grande espelho por meio do qual todas as mulheres dos quatro cantos do mundo deveriam se olhar. Tomara que isso ocorra com a indicação ao Oscar 2020.

Uma oportunidade ímpar de compreender, de forma simples, o motivo pelo qual uma mulher do século 21 ainda precisa escrever “Por que Lutamos”?

Um filme que impacta porque expõe situações cotidianas da condição feminina em um passado recente, infelizmente, integradas ao presente com a carga da  herança do brinco da vovó.

Escrever as poucas linhas deste texto para compartilhar tudo o que consegui enxergar nesse filme, sem dar tanto spoiler, foi desafiador. Falei quase nada…

Quanto ao cabide no banheiro do Cine Arte, imediatamente após a sessão, ele se tornou incrivelmente visível, tanto quanto  o espelhinho no interior do quebra-sol dos veículos, instalado do lado “do motorista” e não mais só no lado “da passageira”. Agradeço e registro!

Coisas simples são reveladoras de tantas que são invisíveis. Nada mais a dizer, exceto, vejam o filme.

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