8 de agosto de 2020Informação, independência e credibilidade
Policia

Advogados que invadiam sistema do TJ/AL e alertavam clientes são alvos de operação

Eles utilizavam o vazamento das informações e informavam seus réus, que fugiam sem serem pegos pela polícia

Três mandados de busca e apreensão foram cumpridos, pela Polícia Civil, que deflagrou a operação “Backdoor”, na manhã desta quarta-feira (29). Os alvos são advogados que atuam nos municípios de Arapiraca e Coruripe, interior de Alagoas.

Segundo o delegado Thiago Prado, responsável pela investigação, a operação tenta desarticular um esquema de uso indevido de senhas de acesso ao sistema do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL). O mesmo prejudicava o cumprimento de medidas judiciais sigilosas, como interceptações telefônicas e mandados de prisão.

A polícia descobriu o envolvimento de advogados fazendo uso desse acesso: utilizando o vazamento das informações, eles informavam seus réus, que aproveitavam para fugir sem serem pegos pela polícia.

Os suspeitos teriam acessado o sistema 91 vezes com as senhas de três Defensores Públicos do Estado de Alagoas, o que causou prejuízo a medidas judiciais em curso.

Os mandados foram cumpridos por equipes da DERC, ASFIXIA e OPLIT, e nos escritórios de advocacia tiveram o acompanhamento de representantes da OAB/AL.

OAB e TJ/AL

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB-AL) informou que aguarda mais informações e que acompanhando o caso. Leia na íntegra. A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB-AL) informa que acompanhou, através da Diretoria de Prerrogativas, o desfecho de uma operação da Polícia Civil, realizada na manhã desta quarta-feira (29), cujo alvos foram dois advogados.

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em Arapiraca e Coruripe, que foram realizados sem prisões. A Seccional alagoana aguarda mais informações e continuará acompanhando o caso.

Já o TJ afirma que não houve nenhuma alteração em conteúdo processual ou algo compatível com a entrada indevida dos advogados no sistema. Segundo o órgão, o SAJ – Sistema de Automação da Justiça – não foi invadido.

O sistema possui diversos níveis de auditoria, conseguindo mapear de qual dispositivo a consulta processual via internet foi efetuada. Os acessos suspeitos foram detectados pelo próprio Judiciário de Alagoas.

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