4 de abril de 2020Informação, independência e credibilidade
Personalidades

Aos 85 anos, morre Bira, o bem humorado baixista do Jô Soares

Com AVC, ele estava internado no Hospital Sancta Maggiore, em São Paulo

Bira: uma história de talento e bom humor na música brasileira

Morreu na manha deste domingo, 22, Ubirajara Pacheco dos Reis, o Bira, músico baiano, que tocava no Sexteto do humorista Jô Soares, quando apresentador da TV Globo.

Considerado um personagem carismático, ele estava internado no Hospital Sancta Maggiore, unidade Mooca, em São Paulo, após sofrer o AVC.

Bira, dono de uma risada famosa, morreu aos 85 anos.

Em novembro deste ano, Bira foi visto de bengala ao desembarcar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Na ocasião, o artista foi extremamente simpático, posou com fãs e para os paparazzi.

Segundo o portal R7, o músico veio a óbito em decorrência de uma parada cardíaca, dias após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A família de Bira agradeceu o carinho de todos.

Bira, o músico

Em texto publicado no perfil da banda BassTotal, da qual ele fazia parte, Bira era conhecido entre amigos e familiares como um verdadeiro “Google” do mundo da música. Ele começou a carreira como cantor cedo, ainda na Bahia, e mudou-se para São Paulo no final da década de 1960.

Quem sempre viu o músico com um baixo elétrico, nos mais de 40 anos de São Paulo, não imagina que, no início da carreira em Salvador, ele preferia exercitar as cordas vocais.

Fã de samba-canção, bossa nova, jazz e bolero, Bira resolveu retornar a função de cantor com o grupo Bira Bossa Jazz por conta dos 50 anos da Bossa Nova. Ao seu lado estava o amigo e parceiro Osmar Barutti, pianista e companheiro de programa do Jô Soares.

Em 1961, cantava no quarteto da boate Montecarlo e depois foi cantar no Hotel da Bahia, com o trio do pianista Jessildo Caribé, da família do pintor argentino/baiano. Nessa época, ele conta que o local era o grande palco por onde desfilavam Elizeth Cardoso, ZimboTrio e Wilson Simonal, entre outros grandes nomes da música brasileira.

Cinco anos antes disso, em 1956, Bira, prestes a entrar no Exército, iniciava a carreira cantando no grupo Quinteto Melódico Itapuã, quando foi convidado para se apresentar num clube da cidade de Senhor do Bonfim, próxima a Juazeiro. Sentado, esperando para cantar, um rapaz tímido, calmo, era uma das atrações. Vinha precedido de alguma fama, pois tinha passado pelo Rio de Janeiro e convivido com os grandes músicos do início da década de 1950. Era João Gilberto que, dois anos depois, revolucionaria a música brasileira cantando Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinícius, dando início ao ritmo musical que colocou o Brasil para sempre no contexto mundial da música. Bira nunca mais reviu João.

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