9 de julho de 2020Informação, independência e credibilidade
Esportes

Apelidado até de “Genocidão”, Carioca retorna após vai e vem de decretos

Protestos em campo já criticam a permissão de torcedores no estádio a partir de 10 de julho

O Botafogo e o Vasco venceram e o Fluminense perdeu na quarta rodada da Taça Rio. Mas tudo fica claramente para segundo plano. Primeiro a jogar no domingo, o Botafogo deu o tom ao entrar com a faixa “Protocolo bom é o que respeita as vidas”.

A frase é uma crítica à Federação de Futebol do Estado Rio de Janeiro (Ferj), que liderou a retomada do Campeonato Carioca em meio à pandemia do novo coronavírus (covid-19).

Houve ainda dois minutos de paralisação, com os jogadores ajoelhados para referenciar o gesto antirracista desde a morte do norte-americano George Floyd, em 25 de maio, asfixiado pelo joelho de um policial.

Mas a permissão de torcedores no estádio, a partir de 10 de julho, deve asfixiar também muitas pessoas. Por causa disso, torcedores na internet já apelidaram o Carioca 2020 de Genocidão.

O estado do Rio de Janeiro já registrou 108.803 casos de covid-19, com 9.789 mortes. A taxa de mortalidade (56,7 a cada 100 mil habitantes) é a maior da região Sudeste e é mais que o dobro da nacional (27,2), segundo o Ministério da Saúde.

O Volta Redonda, por exemplo, teve três desfalques de última hora para a partida contra o Fluminense, já que jogadores relacionados para o duelo foram diagnosticados com a covid-19 nos exames pré-jogo exigidos no protocolo Jogo Seguro, elaborado pela Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro).

Pelo tricolor, Nenê já estava fora da partida. O meia-campista, de 38 anos, já está em quarentena. Até o momento, ele é o único jogador do Fluminense que testou positivo para o novo coronavírus.

Ainda não se sabe o avanço do contágio nos elencos, mas de qualquer forma, todas as equipes voltam a jogar na próxima quarta-feira (1º) pela última rodada da Taça Rio.

Já com torcida

A prefeitura do Rio de Janeiro liberou, em publicação extra do Diário Oficial, a presença de torcedores nas arquibancadas de estádios a partir de 10 de julho.

A medida foi tomada menos de 10 dias após o Campeonato Carioca de futebol ser reiniciado com portões fechados e o estado registrar um recorde de novos casos da covid-19 em 24 horas (6.061, no último dia 19).

A decisão vai na contramão do adotado nas principais ligas da Europa, onde o pico da pandemia do novo coronavírus foi em abril. A maior parte das competições por lá foi retomada sem público e assim continua.

A volta da torcida aos estádios na cidade do Rio de Janeiro terá restrições, como o distanciamento de quatro metros quadrados por pessoa, venda de ingresso online e liberação de apenas um terço da capacidade dos estádios.

Conforme a publicação, o planejamento é sujeito a alterações. Se o cronograma for mantido, a final da Taça Rio, segundo turno do torneio estadual, prevista para depois do dia 10, poderá ter presença de torcedores.

Estádios vazios na Europa

Na Europa, onde o futebol retornou entre meados de maio e o início de junho, sete das 10 maiores ligas do continente – de acordo com o ranking da União das Federações Europeias de Futebol (UEFA) – retomaram seus campeonatos nacionais após o pico da covid-19, em abril. França, Holanda e Bélgica foram as exceções.

Em seis dos países em que a bola voltou a rolar, a determinação foi de portões fechados. Entre eles, Itália e Inglaterra, que estão entre os cinco com mais mortes pelo novo coronavírus.

A exceção entre essas sete ligas foi a Rússia, que permitiu a ocupação de 10% da capacidade dos estádios no retorno. Já na França, apesar de o campeonato local ter sido encerrado, a federação obteve liberação do governo para um público máximo de 5 mil pessoas nas finais das copas nacional, em 24 de julho, e da liga, uma semana depois.

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