11 de dezembro de 2019Informação, independência e credibilidade
Justiça

Aras: PGR e STF já arquivaram a ligação de Bolsonaro à morte de Marielle

Segundo procurador-geral, Procuradoria no Rio vai investigar circunstâncias de depoimento de porteiro do condomínio

O presidente Jair Bolsonaro assina a posse do novo procurador-geral da República, Augusto Aras, ao lado do ministro da Justiça, Sergio Moro

O procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou que o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República já arquivaram uma notícia de fato, enviada ao STF pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que informava sobre a existência da menção ao nome de Jair Bolsonaro (PSL) na investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes.

Aras classificou a divulgação do episódio como um “factoide” e informou que remeterá para o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro um pedido feito pelo ministro Sergio Moro (Justiça) para que se investiguem as circunstâncias em que um porteiro do condomínio de Bolsonaro citou o nome do presidente em depoimento à polícia do Rio.

“Por si só, a notícia de fato [que chegou ao Supremo] já encerrava a solução do problema. O arquivamento ocorreu porque não tinha nenhuma hipótese de investigação do presidente a não ser a mera comunicação ao STF. O que existe agora é um problema novo, o factoide que gerou um crime contra o presidente”. Augusto Aras, procurador-geral da República.

Segundo Aras, o próprio Ministério Público fluminense, ao enviar o relato do porteiro ao Supremo, remeteu junto uma declaração da Câmara que atesta que Bolsonaro estava em Brasília no dia do crime, 14 de março de 2018, e no dia seguinte.

Além disso, segundo Aras, também foram enviadas ao Supremo gravações de ligações entre a portaria do condomínio Vivendas da Barra e as casas apontadas pelo porteiro. “Não há menção ao presidente”, disse o procurador-geral.

Foto: Jorge William / O Globo

Moro isenta presidente

O ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu hoje ao procurador-geral da República, Augusto Aras, a instauração de um inquérito para apurar o depoimento que cita o presidente Jair Bolsonaro (PSL) na investigação sobre a morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

O ministro sugere que Bolsonaro seria “vítima” de falso testemunho ou denunciação caluniosa e fala em inconsistência na investigação. No ofício, Moro aponta que a investigação teve obstrução de Justiça, com “a introdução de testemunha que fraudulentamente apontou falsos suspeitos para o crime”.

O ministro também afirmou que o “Presidente da República, então deputado federal, estava em Brasília, tendo registrado a sua presença em duas votações no Plenário da Câmara dos Deputados, com o que não poderia ter sido visitado na mesma data no Rio de Janeiro por referida pessoa”.

Para Moro, Bolsonaro pode ter sido alvo de “falso testemunho ou denunciação caluniosa”, e o porteiro pode ter sido “utilizado inconscientemente por terceiros” para envolver indevidamente o presidente no caso. Ontem, em live pelo Facebook, Bolsonaro já havia dito achar que o funcionário do condomínio teria assinado o depoimento sem assinar.

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