28 de fevereiro de 2020Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro diz que jornalistas são ‘espécie em extinção’ que ‘envenena’ leitores

“Quem não lê jornal não está informado. E quem lê está desinformado” disse, falando que vinculará categoria no Ibama

O presidente Jair Bolsonaro, durante entrevista no palácio da Alvorada em Brasilia foto Antonio Cruz/ Ag. Brasil

As rápidas e infames entrevistas que o presidente Jair Bolsonaro proporciona na Palácio do Alvorada, sempre apoiado por um grupo de eleitores, resultou em mais uma pérola nesta segunda (6). E desta vez, com um novo ataque aos jornalistas.

Segundo o presidente, os jornalistas brasileiros são uma “raça em extinção”. Ele aproveitou também pra dizer que a Folha de São Paulo escreve mentiras e que a leitura diária de jornais envenena e desinforma. Ao menos condiz com quem quer menos textos nos livros didáticos, pois estes tem “muita coisa escrita”.

“Quem não lê jornal não está informado. E quem lê está desinformado. Tem de mudar isso. Vocês são uma espécie em extinção. Eu acho que vou botar os jornalistas do Brasil vinculados ao Ibama. Vocês são uma raça em extinção”. Jair Bolsonaro, presidente.

O ataque não foi necessariamente do nada: acontece por causa de uma reportagem do grupo Folha, que lembrou que Bolsonaro usou recursos públicos em sua campanha a deputado federal em 2014, apesar de pedir aos eleitores que não votassem nos candidatos que fizessem isso.

“O UOL falou: Bolsonaro falou para não votar em candidatos que usem o fundão, mas ele usou em 2014. O fundão é de 2017. É de uma imbecilidade. Não vou dizer todo mundo aqui, para não ser processado pela Associação Nacional de Jornais e não sei o quê, mas é de uma imbecilidade. Não sabe nem mentir mais”. Jair Bolsonaro.

Claro, Bolsonaro ressaltou que, para este ano, cancelou as assinaturas impressas de jornais e revistas no Palácio do Planalto. Mas ele teve que manter as digitais, depois de ser criticado pela exclusão da Folha de concorrência pública.

“Por exemplo, eu cancelei todos os jornais do Palácio do Planalto. Todos, todos, não recebo mais papel de jornal ou revista. Quem quiser que vá comprar. Porque envenena a gente ler jornal. Chega envenenado”. Jair Bolsonaro.

Há mais de um ano presidente, Jair segue em campanha. Ainda alimentando uma rixa infeliz de “eles contra nós”. E apesar disso tudo, ele segue sendo aplaudido por onde passa.

Bolsonaro encara meios de comunicação como inimigos

No total, são quase dez ataques por mês foram desferidos pelo presidente a profissionais jornalistas, a veículos de comunicação e à imprensa em geral, em seu primeiro ano à frente do País.

O monitoramento vem sendo feito pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), que aponta um total de 116 declarações contra a imprensa em 2019. Foram 11 ataques a jornalistas, e 105 tentativas de descredibilização da imprensa.

O mês de dezembro registrou mais cinco ataques, todos classificados como tentativas de descredibilização da imprensa. Quatro deles foi pelo twitter.

‘Pergunta pra sua mãe’ e ‘cara de homossexual’.

Um exemplo recente dos impropérios presidenciais aconteceu em dezembro. Após ter cansado de evitar dar declarações sobre os casos de corrupção de seu filho, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro resolveu partir para ofensiva.

Ao responder a pergunta de um jornalista sobre o comprovante do empréstimo de R$ 40 mil que Bolsonaro afirmou ter feito a Queiroz, o que, segundo o presidente, justifica os depósitos em cheque feitos pelo ex-assessor de Flávio para a conta da primeira-dama Michele Bolsonaro, o presidente disse:

“Pô, rapaz, pergunta para a sua mãe [sobre] o comprovante que ela deu para o seu pai, tá certo?” Jair Bolsonaro, presidente.

Isso porque, no início da perguntas, ele chegou a afirmar não ser juiz, disse que outros parlamentares da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) tinham problema de movimentação atípica e que se alguém desviar um real, é culpado.

E foi além: após comentar as acusações contra Fabrício Queiroz, amigo pessoal do presidente e apontado como laranja em esquema de desvio de salários de servidores do gabinete de Flávio quando este era deputado estadual no Rio, Bolsonaro se dirigiu a um dos repórteres e disse:

“Você tem uma cara de homossexual terrível, mas nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual”. Jair Bolsonaro.

E não foram só perguntas referentes a Queiroz que fizeram Jair aparentar ter acordado com o pé esquerdo hoje e não sobrou nem para quem perguntou sobre Isreal.

“Você pretende se casar comigo um dia? Não seja preconceituoso, você não gosta de loiro de olhos azuis? Isso é homofobia, vou te processar por homofobia. Não admito homofobia, você é homofóbico”. Jair Bolsonaro, presidente.

Veja o vídeo:

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