11 de agosto de 2020Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro está intocável. E ele sabe disso

Previsão é de reeleição, diante de todos os nomes possíveis e apesar de todas as acusações, mentiras, crimes em seu redor, pedidos de impeachment, mamatas, erros na pandemia…

Segundo pesquisa do Instituto Paraná, divulgada nesta sexta-feira (24) pela Revista Veja, Jair Bolsonaro ficaria à frente em todos os adversários possíveis do 1º turno e, principalmente, do 2º turno da eleição presidencial de 2022.

Não importa se contra Moro, Lula, Haddad, Ciro Gomes, Doria ou mesmo Luciano Huck: em todos os cenários, feito pelo Instituto Paraná Pesquisas, entre os dias 18 e 21 de julho, com 2088 pessoas em todo o Brasil, o atual presidente seria reeleito.

Não há margem de erro portanto que possa gerar algum tipo de dúvida: Jair Bolsonaro é um intocável. Nada do que ele fez, fizer ou chegar a fazer pode abalar sua imagem diante de seu eleitorado.

E ele sabe disso.

Muito há de se conjecturar sobre o cenário político atual. Com a completa desunião ou falta de coesão da esquerda, aliada ao crescimento da direita, Bolsonaro se encontra em uma tempestade perfeita de oportunidades políticas.

A Lava Jato fez o brasileiro “cidadão de bem” e “pai de família” não querer pagar o pato e uma série de eventos, sejam eles embasados em verdades ou mentiras, notícias ou fake news, ciência ou conspiração, colocou na presidência o “homem que você podia chamar de tudo, mas não de corrupto”:

  • Bolsonaro pode ser acusado de ser misógeno, homofóbico, racista;
  • Pode ser acusado de ter laços fortes com a milícia, a ponto de propor a legalidade da mesma, ter laços fortes com o laranja Queiroz ou policiais assassinos;
  • O atual presidente pode até ter filhos com dons especiais, como fazer um hamburger digno de embaixador, ser claramente o cabeça de um esquema de corrrupção com laranjas e milicianos, estar à frente de um esquema virtual de assassinato de caráter ou redes de desinformação, ataques deliberados e fake news;
Os filhos Carlos, Flavio e Eduardo Bolsonaro, principais acusados de comandar as milícias digitais do pai presidente, Jair Bolsonaro
  • Sua esposa pode ter recebido um cheque de laranjas, mas ele desligou a piscina que tinha energia solar para economia energia e atacou de frente a tomada de três pinos;
  • O presidente pode afirmar que por ser úmida, a Amazônia não pode pegar fogo, mas que se isso acontecer, a culpa é dos índios e cablocos;

  • Bolsonaro pode virar as costas para o resto do mundo e ser capacho dos Estados Unidos, comemorando o 4 de Julho ou reverenciando Donald Trump, achando que o Brasil tenha o mesmo poder e o mesmo dinheiro;
  • Sem diplomacia, pode ter sido liberada afrontas contra a Europa, jogar fora recursos que recebíamos do exterior, acusar opositores de serem de esquerda e até mesmo falar mal da mulher dos outros;
Joao 8:32 foi usado em vão
  • Para ter sido eleito, valeu falar da mamadeira de piroca, do livro que nunca foi usado ou de outras acusações mentirosas;
  • Pode ter quebrado promessas, ou mesmo mentido, sobre o uso do cartão presidencial, hoje recorde e que não condiz com quem come pão com leite condensado, alianças com o centrão, uso político de mamatas, toma lá da cá e falta de nomes técnicos em ministérios;

  • Pode ter exaltado um torturador durante um pedido de impeachment, desejado a morte por câncer de adversários, dizer quais mulheres merecem ser estupradas e ainda assim ser considerado cristão;
  • Bolsonaro pode ter um plano para armar a população e criar listas com nomes de servidores de oposição, considerados “antifascistas”;

  • Pode ter entregue um pibinho em seu primeiro ano e destruído a cotação do dólar, isso antes mesmo da pandemia, mas com a vantagem de que agora empregada não vai mais pra Disney e que seria bom o brasileiro conhecer o Brasil, ao invés do exterior;
  • Pode ter feito burradas homéricas durante uma pandemia, como negá-la, fazer pouco de mortos, querer esconder números, dizer que não é coveiro, demitir ministros técnicos, dizer que máscara é coisa de viado e mesmo contaminado interagir com pessoas que não tem seus recursos para serem atendidas em hospitais;

  • Pode ter perdido sem ministro mais popular, em um caso claro de amor hétero não correspondido;
  • Bolsonaro pode até ter conseguido emplacar um remédio que não funciona, vetado em praticamente todo o mundo (os EUA passaram pra cá as doses proibidas), e isso para o que ele dizia ser uma ‘gripezinha’;

  • Atacando a imprensa como nunca se fez antes, pode até ter promovido o mesmo ataque contra o Supremo e o Congresso, colocando cada vez mais militares em seu Governo, em um auto golpe claro e evidente;
  • Pode ter conquistado o apoio de seus seguidores em tudo o que fala, mesmo ele voltando atrás no que diz, ou voltando atrás na volta atrás do que voltou atras. Nem voltou, nem que voltou;

  • A PF e sua esquipe de advogados (que não recorreram e deram o caso por encerrado) e todas as conclusões possíveis levaram à evidência de que o atentado que sofrera foi de um homem perturbado e que agiu sozinho, mas teima em teorias de conspiração, alimentadas pelos seus filhos e apoiadores próximos;
  • Olavo de Carvalho pode ser seu guia, apesar de ter abandonado a escola e falar mal de universidades, achar que Pepsi usa fetos abortados em sua fórmula, que a Terra é plana, que vacinas deveriam ser proibidas e que mesmo diante disso tudo emplacou ministérios e cargos importantes;
Olavo de Carvalho, astrólogo, filósofo e ideólogo de Bolsonaro, colocou ministros no Governo, é terraplanista e diz que a Pepsi usa fetos abortados em seu adoçante
  • Empresários que tem dívidas com parcelas com mais de 100 anos, como o velho da Havan, ou o diretor da Fiesp, que pagou pelo pato, mas não sua dívida R$ 6,9 bilhões (a maior da UNião) podem continuar como apoiadores e seguirem usando seus recursos para calar Olavo de Carvalho, que instável, ameaçou acabar com o governo;
  • Bolsonaro pode ter se queixado do salário baixo e ser preso pelo exército, após expressar seu descontentamento em artigo na Veja e até mesmo planejar explosões no quartéis, algo digno de um terrorista de esquerda;
  • Bolsonaro pode ter contratado fantasmas e ter tido os maiores gastos de gabinete, apesar de em quase 30 anos como deputado, nunca ter proposto um PL que prestasse.

Mas você não pode chamar ele de corrupto.

O presidente chegou num ponto admirável de populismo, que ele com certeza vai usufruir. E se com tudo o que ele fez, ou deixou de fazer, ainda segue o nome a ser batido nas próximas eleições, a lista de permissões só cresce. Dois cenários extremos não estão muito longe da realidade:

Investigações da PF podem ligar filhos de Bolsonaro à organização que pedia volta do AI-5
  • Como parte de protestantes pedem o AI-5 ou um golpe militar contra a corrupção, ele poderia fazer isso perfeitamente e alguns aplaudiriam;
  • Como até quem quebrou placas de homenagem à uma vereadora assassinada foi eleito deputado, e esta se tornou um nome a ser boicotado, adversários precisam estar cientes de que o destino poderia ser o mesmo, seja com pessoas diretas ou mesmo apoiadores distantes do governo.

E por mais absurdas que sejam estes cenários, só fato de uma parcela notável apoiar estas atitudes, já é suficiente para tomá-las como cenários não muitos distantes da realidade.

Seja lá qual for essa realidade, quer goste ou não, o recado já foi dado: é melhor Jair se acostumando….

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