20 de janeiro de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Carne tem a maior alta desde 2010 e eleva a inflação

A taxa de 0,51% registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) muda rumos da economia popular

Carne dispara em novembro e altera o IPCA

O salto de 8,09% no preço das carnes pressionou a inflação ao consumidor no mês de novembro, com uma contribuição de 0,22 ponto porcentual para a taxa de 0,51% registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), item de maior pressão no mês.

A alta nas carnes no mês de novembro deste ano foi a mais acentuada desde novembro de 2010, quando subiram 10,67%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A gente tem demanda grande da China pela carne, que restringe a oferta no mercado. A situação no momento é uma demanda alta da China pela carne brasileira. Foi principalmente carne bovina. As outras também foram influenciadas, porco e frango, mas o grande destaque foi a carne bovina”, frisou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

A carne de porco subiu 3,35% em novembro, enquanto o frango inteiro aumentou 0,28% e o frango em pedaços subiu 0,34%.

O grupo Alimentação e Bebidas saiu de um avanço de 0,05% em outubro para elevação de 0,72% em novembro. A contribuição do grupo para a inflação passou de 0,01 ponto porcentual para 0,18 ponto porcentual no período.

“Sem as carnes, (o grupo) Alimentação e Bebidas teria registrado uma queda de 0,18%. Realmente o que pesou mesmo foram as carnes. Tomate, batata e cebola caíram cada um mais de 10%. Então realmente foram as carnes”, ressaltou Kislanov.

Sem a pressão das carnes, o IPCA teria sido de 0,30% em novembro calculou Kislanov. Devido ao encarecimento das carnes, os alimentos para consumo no domicílio interromperam uma sequência de seis meses consecutivos de quedas de preços, com um avanço de 1,01% em novembro.

Por outro lado, as famílias pagaram menos pela batata-inglesa (-14,27%) e pelo tomate (-12,71%), ajudando a conter o IPCA em -0,03 ponto porcentual cada um. A cebola também teve recuo acentuado, de 12,48%.

Já a alimentação fora do domicílio subiu 0,21% em novembro, após uma alta de 0,19% em outubro. No último mês, o item lanche aumentou 0,56%, uma contribuição de 0,01 ponto porcentual para o IPCA do mês.

Energia elétrica

Já o grupo Habitação saiu de uma queda de 0,61% em outubro para um avanço de 0,71% em novembro. A tarifa de energia elétrica subiu 2,15% em novembro, após um recuo de 3,22% em outubro, dentro da inflação medida pelo IPCA no mês, informou o IBGE. A conta de luz contribuiu com 0,09 ponto porcentual para o IPCA de novembro.

O movimento foi puxado pela mudança de bandeira tarifária. Em outubro, estava em vigor a bandeira amarela, com acréscimo de R$ 1,50 para cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em novembro, passou a vigorar a bandeira vermelha patamar 1, com valor reajustado de R$ 4,00 para R$ 4,169 a cada 100 quilowatts-hora. A conta de luz ficou mais cara mesmo com reduções tarifárias em quatro das 16 regiões pesquisadas: Porto Alegre, São Paulo, Brasília e Goiânia.

Apesar da pressão em novembro, a conta de luz deve dar uma trégua ao orçamento das famílias em dezembro. Além de absorver boa parte da redução de tarifas em uma das concessionárias de Porto Alegre, volta a incidir sobre as contas de energia elétrica a bandeira tarifária amarela, com uma cobrança extra menor, de R$ 1,34 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, lembrou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

Ainda em Habitação, a taxa de água e esgoto subiu 0,24% em novembro, decorrente de reajustes em Curitiba e Rio de Janeiro. O gás encanado ficou 0,26% mais barato no mês, em consequência da redução de 0,60% nas tarifas praticadas no Rio de Janeiro no dia 1º de novembro.

Já o gás de botijão aumentou 0,87%, em decorrência do reajuste de 4% no preço do botijão de 13 kg autorizado pela Petrobras nas refinarias, a partir do dia 27 de novembro.

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