4 de julho de 2020Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Considerado, dona Nildinha e a agonia de perder visita da Bahia no réveillon

Teria ido ela atrás do saradão de Rodelas?

Réveillon é festa, farra, esperança, momento de extravasar tudo e em qualquer lugar do mundo. Dona Nildinha, a avó do Considerado, passou o dia 31 se preparando para a virada do ano. Estava com visita em casa. Uma baiana que lhe fora bem recomendada pelo amigo professor Brizola, famoso ativista cultural, lá de Juazeiro da Bahia.

O nome dela: Márcia Angélica. Um dia fora rainha da festa de reis na cidade de Curaçá, alto sertão baiano. Noutro, ganhou o concurso de miss simpatia de Sobradinho.

Logo cedo a avó mandou o neto dar todas às atenções a visitante, uma servidora pública, caxias, da terra de João Gilberto. Ele, claro, pediu a carteira da “voinha” para tirar o necessário e fazer umas visitinhas em alguns botecos maceioenses.

Desta vez, evitou o Bar do Lula, Gabi e Grutinha para não encontrar ninguém da turma. Sabia que se encontrasse iam dizer que ele estava de namorada nova. Ficou entre Confraria do Rei, Massaguerinha e algumas barracas de praia. A moça, como ele, gosta de umas geladas e uma boa roda de samba.

Considerado assim fez suas vezes de anfitrião com o dinheiro da avó. Todo serelepe, com pose de bicheiro do bairro da Coréia, curtiu seus momentos de despedida do 31 de dezembro.

Na volta para casa, à noite, encontraram dona Nildinha no seu salto alto, vestindo um short branco e uma blusa amarela, frente única lantejoulada. Estava pronta para ir ao pipocar dos fogos na orla. Antes, já havia feito 10 ligações para o celular do ex-namorado, Zé Fumacê, para tentar reatar o namoro e voltar a ser rainha do coração do cara e do velho Bar do Carvão, no bairro da Levada. Mas, tentativas em vão.

Enfim, beberam mais umas geladas sob o caramanchão do quintal da casa e decidiram partir para orla de Ponta Verde para despachar o Ano Velho e abraçar o Ano Novo com fé. Na orla uma multidão colorida exibia toda a diversidade da raça humana. Gente animada, cheia de esperança. Embora, muitos sem saber no quê.

Nildinha no alto dos 67 anos encontrava um conhecido a cada 300 metros. E haja papo. Foi tanta conversa, tantos beijinhos trocados que ela e o neto gordinho se esqueceram de Márcia Angélica. Quando deram por si a moça havia desaparecido.

Olha o drama para encontrar a amiga recomendada por Brizola. A avó olhou para o neto e disparou:

– Cadê a moça Considerado?

-E eu sei vó.

-Tem que saber. Você não estava ao lado dela?

-É mas ela sumiu de repente.

-Como assim?

-Não sei vó. Acho que ela viu um cara saradão lá de Rodelas e seguiu os passos dele.

-Meu Deus. Se esse cabra é de Rodelas você deve ser um rodeira, de tão lesado.

-Tenha calma, minha avó.

-Tenha calma o quê?

Aí deu-se o vai e vem para procurar a morena baiana vestida num short e blusa bege. Nildinha, na ponta dos cascos, xingava o neto de todos os adjetivos. E quase todos impublicáveis. Depois de muita procura, avó e neto pararam nos fundos de uma barraca de Assaí, na praia de Ponta Verde. Os dois com cara de tacho.

Chegou a hora. Meia-noite. O pipocar dos fogos começa e a multidão dispara para a beira do mar. O espetáculo no céu era brilhante e lindo. Nildinha só olhava para o celular tentando encontrar a amiga.

De repente, um vulto conhecido passa ao longe na visão do Considerado. Ele grita:

-Olha ela ali minha vó!

-Meu Deus. Valei-me São Longuinho, protetor dos perdidos e achados!

-Valei-me, minha vó.

-Ela tá com o saradão da Rodelas?

-Não. Tá bebendo uma cerveja na boquinha da garrafa.

Então corra atrás dela, seu rodeira imprestável senão eu te mato!

 

 

 

 

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