28 de maio de 2020Informação, independência e credibilidade
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Considerado e a avó em depressão trepada num pé de goiaba

Abandonada por Zé Fumacê, a velha subiu no pé de goiaba para ver Jesus

Na tentativa de reatar o namoro com Zé  Fumacê  – o rei da boate  O Carvão, na Levada – Dona Nildinha se aprontou em duas noites de carnaval e ficou à espera do amante latino que não apareceu. A decepção tomou-lhe conta da vida.

O neto, Considerado, ao ver a velha em estado depressivo foi ao bar do Grutinha para encontrar o cara que havia marcado a farra com a avó dele e, na hora H, farrapou.

Encontrou vários amigos na mesa do bar: Belleboi, Batoré, Coleguinha, Tonelada, Bill Pontão, Pastor, Cobra coral e outros. Chegou perguntando pelo velho Fumacê com uma cara de abuso que deixou olhares estranhos em diversas mesas.

-O que houve Considerado? –Foi a pergunta geral na mesa. Ele não quis dar maiores explicações, mas disse que estava à procura do Fumacê.

-Já sei. Estás atrás da maconha estragada dele… – Disse o Batoré.

Considerado não gostou do gracejo, mas relevou por que não queria perder o foco do seu momento de tristeza por conta de um amigo. O problema era o Fumacê. Preferiu deixar um recado.

-Digam a ele que eu e minha avó estamos o esperando em casa desde o carnaval.

A ficha caiu. A turma descobriu que Zé Fumacê havia dado mais um cano na vovozinha do Considerado. Logo ele, que tinha sido contra o namoro, mas nada poderia ter feito diante da paixão arrebatadora que dominou dona Nildinha.

Ele deixou o bar o voltou para casa. Precisa fazer alguma coisa para tirar a vó da imensa tristeza que lhe dominara.

Na chegada procurou-a por todos os cantos da casa e não encontrou. A preocupação ficou ainda mais latente. Chamou, gritou e nenhum sinal.

Foi ao quintal e logo encontrou um pé de laranja plantado próximo a caixa d’água. Pensou que ela havia melhorado e resolvera plantar fruteiras detrás da casa. Mas, bastou andar cinco passos à frente para perceber que o problema era pior do que imaginava.

Considerado tomou um susto quando viu a figura de Nildinha trepada em um pé de goiaba, vestida em um Baby Doll de renda com bojo, todo vermelho.

-Meu Deus, vó o que é isso?

-Isso o quê?

-São duas horas da tarde, numa temperatura dessas e a senhora aí em cima…

-Problema meu!

-Não senhora. Quem se veste desse jeito e trepa numa goiabeira não pode estar normal.

-Eu me vesti para ele, aquele cachorro…

-Eu lhe disse que ele não prestava…

-Não diga nada. Eu já ajeitei sua vida.

-Como assim?

-Plantei aquele pé de laranja

-Que merda é essa minha avó?

-Merda não, todo mundo já sabe que laranjal hoje dá dinheiro.

-Meu Deus…desça daí que eu vou levá-la ao psiquiatra.

-Não senhor, eu quero vê-lo. Se aquela doida viu, eu também quero.

-Ver quem? –Saia logo daí, endoidou foi?

-Só saio daqui quando eu ver Jesus nesta goiabeira.

 

One Comment

  • Achei forçado e desnecessário!
    Mesmo que seja um blog que ironiza assuntos do cotidiano, fazer chacota com a fé alheia e, principalmente, com um assunto tão delicado, quanto o de abuso sexual infantil, que está inserido no contexto da fé, é algo infeliz, feio!
    Poderia rever a forma de fazer humor sem atingir a história de superação de pessoas.
    Por mais que a empatia não exista.
    Obrigada!

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