12 de julho de 2020Informação, independência e credibilidade
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Coronavírus: tudo vai passar mesmo ou nada será como antes?

A subnotificação dos casos e o avanço do vírus pelo interior é um grave martírio

Coronavírus: o país atordoado e sem noção em meio à imensa tragédia

Em toda e qualquer conversa entre os brasileiros sobre a tragédia da saúde pública que tomou conta do País, depois do passeio do coronavírus pelo mundo, há sempre o sentimento conjunto de que “isso vai passar”.

Em meio a angústia vivida por quase todos – ainda há os que acreditam na gripezinha – é mais que natural manter o sentimento de que em algum momento tudo vai passar de fato, para a felicidade geral.

Essa é uma esperança em um cenário de desamparo e dor. São mais de 50 mil mortos.

O que se quer então é que passe logo.

Mas, o drama é que os sinais da pandemia não ajudam a fortalecer esse sentimento. Os próprios números revelam o contraditório em absoluto desalento

Os dados do Ministério da Saúde dizem que o maior número de casos confirmados de Covid-19 ainda é aqui no Nordeste (379.297).

Depois vem a Região Sudeste com 377.817. O Centro-Oeste conta com 63.553, o Sul com 51.531 e o Norte, com 212.940 casos confirmados.

O problema é que se nas capitais há os “cientistas” de ocasião defendendo a reabertura de tudo por que “o pior já passou”, no interior do País o vírus avança de forma preocupante, segundo o próprio ministério.

Isso remete a assertiva de que a tragédia ainda vai longe a nos martirizar.

Dizem os especialistas na medicina que tudo isso preocupa, porque no interior há uma clara subnotificação da doença muito maior que nas cidades polo.

E isso se dá exatamente por que nesses locais existe uma qualidade técnica e suporte tecnológico bem menor que nas capitais.

E aí não é preciso ser cientista para saber que a subnotificação dificulta a avaliação do estado real da propagação da doença.

Mas, nesse debate que quase ninguém gosta – a ânsia de voltar à normalidade é maior – o Ministério da Saúde também diz, paradoxalmente, que o já país caminha para uma tendência de estabilização da curva de casos e mortes em decorrência da doença.

E é exatamente isso que a maioria quer ouvir para alimentar a esperança de que tudo está passando e a vida voltará a ser como antes.

Mas, para quem desde o início tratou de desconsiderar a pandemia, temos aí um sério problema de confiança e credibilidade.

Portanto, não é exagero dizer que, em qualquer que seja a situação, nada mais será como antes.

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