10 de abril de 2020Informação, independência e credibilidade
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De quarentena, Nildinha, Cega Dedé e Considerado entram no álcool contra o vírus

Ceguinha rejeita ‘bananinhas’ e segue o exemplo da turma do Batoré

Álcool na quarentena da ceguinha, mas sem bananinhas…

Do alto dos seus 80 anos e lá vai fumaça, a Cega Dedé de PJ resolveu entrar de quarentena, mas na casa dos outros. Na verdade, foi convidada por Dona Nildinha, avó do Considerado, a ficarem juntas em Maceió nesse tempo difícil.

Dedé mora sozinha em Paulo Jacinto e Nildinha ficou preocupada com ela. Quem, afinal, por lá, cuidaria da velhinha contra o coronavírus? Não pensou muito e mandou o neto ir buscá-la. Isso depois de passar quase 1 hora ao telefone para convencê-la a entrar no carro, assim que o neto chegasse.

Foi tranquilo. Considerado chegou e Dedé já estava de malas arrumadas. Mas quis impor uma condição. –Olhe, meu filho, eu vou, mas quando chegar lá quero visitar a “fia” de Mazé Fontan, naquela Secretaria da Fazenda… –Quem dona Dedé? – A  fia de Mazé, você é mouco?

Considerado resolveu ficar quieto. Colocou a ceguinha no carro e fez o caminho de volta. Quase duas horas de viagem. Dedé quis saber como ele era, o que fazia, se estava bem de vida, se conhecia “as fias de Mazé”, enfim, se já estavam chegando.

-Estamos chegando… Quase em casa.

-Na casa da menina de Mazé?

-Não, de minha vó Nildinha.

-Mas eu quero ver a menina…

-Pode não dona Dedé, a senhora está de quarentena.

-Eu quero lá saber de novena…

-Não é isso não. É por causa do coronavírus

-Eu não conheço nenhum Ciro…

Deu trabalho, mas a velhinha foi convencida, mais uma vez, a ir para casa de Nildinha, cuja mãe, fora muito amiga da ceguinha nos idos de 50 em PJ. Lavaram roupa na beira do rio, tomaram banho na Bela e dançaram Mambo no baile da Chita.

Entrou em casa e Nildinha disse que não ia abraça-la por que estavam de quarentena por causa do vírus. Ela repetiu que nunca abraçou Ciro, nem gostava de novena. Sua paixão, sempre os terreiros, como boa filha de Oxalá que é.

A ceguinha é antenada. Não vê, mas ouve tudo no rádio em alto volume. A filha de uma amiga costuma ligar a TV para que ela ouça também as notícias nos telejornais.

Sabendo-a cansada da viagem, Nildinha lhe ofereceu umas bananinhas para repor as energias e ficar mais disposta para conversar.

-Pegue umas bananinhas aqui, Dedé.

-Que bananinha, aquele satanás que xingou o povo chinês?

-Não minha amiga, umas bananas que Considerado trouxe?

-E ele traz esses bananas para a sua casa?

-Não Dedé é fruta que ele ganhou do Batoré

– Batoré lá de Paulo Jacinto, eu não conheço não.

-Esse é daqui, amigo do meu neto, de um tal de Belleboi, de um Zoião, de outro chamado Davan Tonelada…

-Virgem, parecem nomes de doença, desse tal de vírus aí.

-Também acho, mas são amigos de cachaça desse menino.

-Mas eles estão doentes com esse negócio aí?

-Sei não. Estão Considerado?

-Essa doença não pega neles não ceguinha.

-Por quê meu filho?

-Eles já vivem no álcool.

-E álcool é bom mesmo?

-Dizem que é, dona Dedé.

-Oh minha gente, bananas pros bananinhas, vamos entrar no álcool.

-Tenha calma ceguinha!

 

 

 

 

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