12 de julho de 2020Informação, independência e credibilidade
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Desumano: Moradores de rua são recolhidos em Palmeira e despejados em Paulo Jacinto

Situação gerou revolta e indignação. Prefeitura diz que houve um equívoco, pede desculpas e leva as pessoas de volta

Um ato desumano! Daqueles de causar indignação, muito mais do que desconforto ou medo em qualquer pessoa que tenha um mínimo de sensibilidade. Cerca de 10 moradores de rua da cidade de Palmeira dos Índios foram recolhidos numa van e despejados (talvez a palavra mais adequada fosse descartados), às margens da rodovia AL-210, na entrada da cidade de Paulo Jacinto.

Eu poderia definir com o que se chama ‘presente de grego’. Porém, mais do que isso, é uma atitude desprezível, que nos leva a perguntar o que move o coração de determinados seres humanos em relação aos seus iguais. Sim, porque embora vivamos em meio a estupendas desigualdades sociais, somos iguais nas condições de seres humanos, com as mesmas necessidades básicas, inclusive a de sermos tratados com um mínimo de respeito.

Recebi em mensagens de áudios e vídeos, a indignação de moradores de Paulo Jacinto, denunciando o caso, na noite de sexta-feira (22), quando tudo aconteceu. Porém, era tarde, não dava para checar a veracidade dos fatos. E esse é um tipo de informação que nos deixa incrédulos. Até torci para que fosse uma dessas notícias falsas. Mas foi verdade.

Conversei hoje com o prefeito Marcos Lisboa, e ele confirmou. Tentei falar com o prefeito Júlio Cezar, de Palmeira dos Índios, mas não consegui. No entanto, como vi uma nota emitida pela prefeitura daquela cidade, admitindo a situação e tratando-a como “um equívoco”, considerei que isso contempla a necessidade de ouvir o outro lado, numa situação como essa. E só agora resolvi publicar.

Preocupação e medo

Os primeiros a perceberem a presença do grupo, foram os moradores do conjunto Santa Inês, que fica à margem da rodovia onde eles foram deixados, em Paulo Jacinto. As pessoas relatam sensação de medo e preocupação com a presença inesperada daquele grupo totalmente estranho ao convívio da comunidade, vagando pela noite, alguns meio perdidos, outros meio alterados com a situação. De onde teriam vindo essas pessoas? Em tempos de pandemia pensaram na doença do coronavírus, e se estariam contaminados. Mas pensaram, principalmente na situação degradante a que foram submetidas e alguns procuraram ajudar.

Entre conversas e testemunhos, o mistério foi desvendado. Pessoas presenciaram a chegada da van, escoltada por viatura da guarda municipal de Palmeira dos Índios. Os recém-chegados disseram que foram recolhidos na rua, por guardas municipais, colocados na van e despejados ‘no mato’, na beira da pista, com a ordem para não retornar, sob ameaça de acontecer ‘coisa pior’. Foram abandonados à própria sorte, numa terra estranha, sem ter a quem recorrer, como se um ser humano pudesse ser descartado de qualquer maneira.

Moradores do conjunto denunciaram o fato à polícia e avisaram ao prefeito Marcos Lisboa.

“Eu me inteirei da situação. Eram 9 ou 10 pessoas. Mandei acolhê-las num galpão, dei comida e imediatamente entrei em contato com o prefeito Julio Cezar. Ele disse que ficou abismado, porque a orientação da sua secretaria de Assistência Social, em consonância com ele, era deixar essas pessoas, cada uma na sua cidade de origem – Viçosa, Quebrangulo, não tinha nenhum de Paulo Jacinto – mas, para surpresa nossa, foram deixados todos em nosso município. Ele se desculpou, disse que foi um erro da equipe, mandou buscar o pessoal de volta na mesma noite e os refugiou para tomar a melhor medida”, relatou Lisboa.

Em nota publicada no site Arapiraca.7segundos, a prefeitura de Palmeira esclareceu que “houve um equívoco da Secretaria de Assistência Social ao encaminhar um grupo de pessoas que estava sendo levado para suas cidades de origem” e que “o grupo terminou ficando no município de Paulo Jacinto, contrariando a orientação técnica de praxe nestes casos”.

Disse ainda que, “ao tomar conhecimento do fato, o prefeito Júlio Cezar, determinou que o mesmos fossem reconduzidos ao município palmeirense até contato futuro com os municípios responsáveis por estas pessoas, por meio das secretarias de assistência social” e que o prefeito Júlio fez contato com seu colega prefeito, Marcos Lisboa, apresentando pedido de desculpas pelo ocorrido.

Conheço Julio Cezar, e acredito na sinceridade desse pedido de desculpas. Mas acho que o deve também a esses seres humanos que foram expostos a essa situação degradante. O sentimento que eles têm – como foi gravado em vídeo, por um deles – é de que foram “tratados feito cachorros”. Eu diria que nem cachorro (ou qualquer outro animal) merece ser jogado dessa maneira, em lugar desconhecido e abandonado à própria sorte.

O certo, e quero crer que a equipe do prefeito Julio Cezar o faça de agora em diante, é entrar em contato com os municípios de origem desses moradores de rua e acertar um acolhimento digno para cada um deles.

É o mínimo que a prefeitura de Palmeira dos Índios deve fazer.

2 Comments

  • Avatar Jorge de Araujo Vieira

    Os moradores de rua têm o direito de viver na rua! Se eles são de outros municípios, mais querem viver em Palmeira dos Índios! O direito é deles de escolher a cidade que querem viver! O prefeito Albérico Cordeiro fez isso.Mais fez de uma maneira diferente! Na época foi perguntado paŕa cada morador de rua se o mesmo queria voltar para sua cidade. Após a resposta do morador de rua, se procurava a família e mediante isso, era levado para sua cidade de origem. Isso é que dá querer imitar gestão passadas e não saber como agir! Vamos respeitar! Ninguém é melhor do que ninguém! Lembre- se O pássaro como formigas! Quando o pássaro morre são as formigas que o come! Pensamos nisso! Palmeira dos Índios precisa saber o prefeito que quer!

  • Avatar Charles Lima

    Palhaçada desse prefeito pavão de Palmeira dos Indios. Cabra de peia. Palmeira não merece um político dessa qualidade

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