5 de julho de 2020Informação, independência e credibilidade
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Equatorial: a privatização batendo à porta sem dó, nem pena, nem mimimi

O simples consumidor sente o peso da facada no bolso. Veja o vídeo.

Nas ruas, o trabalhador terceirizado da Equatorial assume o papel de vilão

É impressionante o número de postagens nas redes sociais de plebeus e fariseus contra as ações da Equatorial – atual concessionária de energia em Alagoas e outros Estados do País – que atentam diretamente contra os bolsos de cidadãos e cidadãs.

Antes dela, quem operava no Estado era a Ceal, empresa vinculada a Eletrobrás, que foi comprada em leilão do mercado financeiro. O empresário Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev, é o proprietário da Equatorial, que arrematou a antiga empresa alagoana sem oferecer nenhum deságio – ou seja, a empresa não admitiu nenhum tipo de desconto na tarifa de energia dos consumidores.

Pronto. Temos uma empresa privatizada e consumidores revoltados com o leite derramado.

Não faz muito tempo que havia uma histeria coletiva entre alagoanos de todas as camadas sociais pedindo a plenas cordas vocais pela privatização da Ceal. Era a concepção de que o que é público não presta, não oferece bons serviços e que só mesmo a iniciativa privada para resolver.

Enfim, criaram o cenário, o negócio se concretizou e hoje o servidor público é sinônimo de “parasita”,  na visão de sua excelência o privatizador mor da República, ministro Paulo Guedes. Isto é, parasitas são os que ficaram no serviço, por que no caso da Ceal a maioria foi demitida logo após o negócio concretizado.

Pois bem. O que mudou? Para os investidores do mercado a engorda de suas contas bancárias com a nova relação de mercado da Equatorial-consumidores, seja na praça alagoana ou em qualquer outro lugar.

Para o consumidor o que mudou mesmo foi a facada sentida no combalido orçamento doméstico – no caso de dona Maria, seu José ou seu João da periferia.

Mas, a prática para fazer mais dinheiro com o negócio dos homens do mercado é a mesma. Ou seja, aumento de tarifa + ajustes + multas + cobranças retroativas e mais cortes do serviço para quem não tiver condições de pagar em dia.

Não adianta o chororô, nem o tal “mimimi”, só para usar a linguagem apropriada dos mercadeiros de plantão.

E isso está bem explícito em um vídeo que um consumidor alagoano (reproduzo aqui) divulgou nas redes sociais, chamando a atenção para o fato de estar fechando seu pequeno negócio, depois que a Equatorial lhe mandou uma multa de mais de R$ 3,7 mil de uma conta que ele desconhecia por completo.

Segundo ele, a empresa cobrou um ajuste de kilowatts consumidos antes da privatização. Alegou que ele havia consumido mais e que não fora cobrado. “Portanto, isso é um ajuste retroativo”, foi a alegação.

Veja o vídeo:

É uma espécie de efeito manada dos investidores do mercado, sem dó, nem pena.

Assim, para os mais sofridos vale o choro.

Mas só para desabafar.

12 Comments

  • Avatar Joilson Gouveia

    Em sendo verídicas todas essas denúncias acima citadas, urge, pois, algumas simples indagações, a saber:
    a) Onde o PROCON e os tais órgãos de defesa dos consumidores?
    b) Há AGE, Defensorias Públicas, MP de Constas, PGE e PGJ, neste Estado?
    c) Ainda existe aquele órgão chamado PROCON?
    Enfim, a imprensa checou à veracidade desses fatos ou ouviu à Equatorial?
    Abr
    *JG

  • Fátima Almeida Fátima Almeida

    Senhor Edmilson, somos gratos pela sua leitura. Nesse caso, sugerimos que essas pessoas procurem a Defensoria Pública ou o próprio Ministério Público para receber orientação.

  • Avatar ivanaldo antonio

    O problema não esta na privatização é sim no mal caratismo da empresa.
    A ordem era:ou privatiza ou fecha.
    Quem ia pagar a conta?

  • Avatar Jordaylson monteiro de andrade

    VAMOS ENTRA NA JUSTIÇA CONTRA A EQUATORIAL QUE QUANTO MAIS PESSOAS COLOCAR ELA NA JUSTIÇA ELA VAI TER QUE INDENIZA OS CONSUMIDORES E UMA HORA ELA QUEBRA NO MEIO.
    VAMOS ENTRA CONTRA ELA NA JUSTIÇA PEDINDO INDENIZAÇÃO.

  • Avatar Edmilson Medeiros Marques

    Equatorial age descaradamente, cortando a energia dos moradores da Zona rural. Sítio Nova Esperança, do Olho d’água do Casado, sem se quer aviso prévio, mandou uma conta para muitos moradores, o talão tá dizendo R$ 4.000 no geral, que já é muito, e quando as pessoas vão fazer acordo querem cobrar R$ 11.000, sendo que o talão é 4.000, que já é dinheiro demais e os moradores não tem condição de pagar, então quando os moradores vão fazer acordo em Delmiro Gouveia, além do total, eles querem fazer um acordo cobrando duas vezes mais.
    Então peço encarecidamente algum advogado que se interessa em pegar essa causa para ajudar essas pessoas, ou Ministério Público do Estado de Alagoas.

  • Avatar Aldir

    O pessoal da antiga CEAL foi as ruas dizer a população o que iria acontecer com a privatização da empresa. O povo chamou os funcionários de marajá, de funcionários preguiçosos, pensou que teria os mesmos benefícios de antes e que tudo iria melhorar e não fez nada. A empresa foi vendida por R$ 50mil, preço de um carro popular. Agora, depois da privatização, o mesmo povo reclama. Foi falta de aviso??? Estão achando ruim?? Esperem a privatização da Petrobrás pro povo que compra gás de cozinha, que anda de ônibus, que paga frete, etc sentir na pele a nova realidade que o estão nos propondo. É disso pra pior. Acorda povo!

  • Avatar Anônimo

    Além de todos esses problemas causados ao povo alagoano, a empresa acabou demitindo funcionários responsáveis e país de família que só tinham aquele emprego para sustentar o lar. Essa empresa veio para causar um dano geral aos alagoanos. Triste fim.

  • Avatar Vitor

    Um absurdo o que essa empresa vem praticando contra os consumidores,um verdadeiro arrastão ,assalto a mão armada,existem casos em que a conta de luz triplicou sem nenhuma explicação, essa cobrança retroativa é uma roubalheira nunca vi isso.quero ver quando as autoridades vão tomar providências .

  • Avatar Misael Farias

    Melhor comentário jornalístico e que melhor define a situação atual da relação equatorial x consumidores. Parabéns.

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