24 de maio de 2020Informação, independência e credibilidade
Política

Ficou só na ameaça: Bolsonaro não demite Mandetta, que segue comandando a Saúde

Militares foram fundamentais para persuadir presidente e manter Mandetta, que ainda balança no cargo

Foi quase, mas não foi dessa vez: o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro nesta segunda (6).

A exoneração do principal nome do governo no combate ao coronavírus já era dada como certa, mas no final da tarde foi convencido por militares, como os ministros Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Governo), de que a melhor decisão seria manter o ministro.

Segundo o Globo, noticiado por Gustavo Maia e Naira Trindade, Bolsonaro já teria batido o martelo e dois assessores haviam confirmado a queda de Mandetta.

Entretanto, assim como na guerra de informação que foi o teste de contágio do presidente, que foi ventilado e acabou sendo outra, apenas essa notícias no grande meio deu como certa a exoneração.

Bairros de São Paulo chegaram a registrar panelaços contra o presidente durante a tarde desta segunda-feira (6) em meio a notícias sobre a possível demissão. E não deu outra: vendo a repercussão negativa e com um auxílio dos militares em seu entorno, Bolsonaro voltou atrás.

Humildade

A exoneração continua a opção desejada por Bolsonaro, que Mandetta bate de frente com ele, principalmente por causa da questão da quarentena ampla.

A situação entre os dois é praticamente insustentável, com o presidente fazendo questão de dizer que falta humildade ao seu ministro. E que quem estiver parecendo estrela, sofrerá com sua caneta.

O presidente prefere flexibilizar o isolamento social, por acreditar que isso vai “quebrar” a economia do país e provocar caos social, o que pode ferir de morte o seu governo.

Substitutos

O deputado federal Osmar Terra, ex-ministro da Cidadania, a imunologista e oncologista Nise Yamaguchi, diretora do Instituto Avanços em Medicina, e o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, são apontados como favoritos a ocupar o cargo. Terra, inclusive, já teria ligado para os governadores para anunciar a decisão do presidente.

Terra, que foi ministro da Cidadania até fevereiro deste ano, tem defendido nos últimos dias posição contrária à de Mandetta na questão do isolamento social – alega que a medida não resolve e pode prejudicar a economia, mesma tese defendida pelo presidente.

Além disso, Terra é mais um defensor do uso da cloroquina, medicamento preferido de Bolsonaro para se tornar a cura contra a pandemia. Entretanto, nenhum teste mais completo indica o caso.

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