3 de agosto de 2020Informação, independência e credibilidade
Mundo

Filho de Trump tem conta no Twitter suspensa após post sobre hidroxicloroquina

Filho do presidente americano postou vídeo contra uso de máscaras e em defesa da droga como cura para Covid-19

O Twitter informou nesta terça-feira (28) que limitou por 12 horas o acesso de Donald Trump Jr. à sua conta na plataforma após um post que viola a política de desinformação do site contra a Covid-19.

O filho mais velho do presidente dos EUA postou na segunda um vídeo em que um suposto médico critica as recomendações de especialistas de usar máscaras e diz que há cura para a Covid-19 —a hidroxicloroquina seria uma das opções.

O conteúdo foi apagado pela mídia social por ir contra as regras de desinformação a respeito da doença, e Trump Jr. teve seu acesso a algumas funções da plataforma limitado pelo período de 12 horas.

O presidente Donald Trump também compartilhou o vídeo. O Twitter informou à rede americana ABC que não puniu o pai por ele ter apenas retuitado o conteúdo, enquanto o filho postou o vídeo diretamente.

Em ambas as contas, o post foi substituído por uma mensagem com a frase “este tuíte não está mais disponível”, com um link para informações gerais do Twitter sobre avisos que coloca em postagens.

Segundo informações da CNN, o vídeo havia sido visto 14 milhões de vezes em outra plataforma, o Facebook, da qual também foi removido.

“Nós removemos o vídeo por difundir informação falsa sobre curas e tratamento para Covid-19”, disse Andy Stone, porta-voz do Facebook.

No mês passado, a agência de saúde do governo americano suspendeu a autorização de uso emergencial da hidroxicloroquina para tratar a Covid-19 após vários estudos colocar sua eficácia em dúvida. Trump vem regularmente defendendo o remédio e dizendo que ele próprio o utilizou.

Não é a primeira vez

O Twitter já interferiu em posts do presidente Donald Trump, como no mês passado, quando pôs um alerta de “comportamento abusivo” em um tuíte em que ele ameaçava usar de “muita força” contra manifestantes antirracistas.

Depois que o Twitter começou a colocar alertas nas mensagens de Trump, o presidente americano anunciou planos para enfraquecer uma lei que protege empresas de tecnologia e adotou, por meio de decreto, uma regulação mais agressiva das plataformas de mídia social.

A primeira publicação de Trump a ser marcada pela rede social com um alerta afirmava que votações por correio comprometem a validade de uma eleição.

Em 29 de maio, outro aviso foi colocado em um tuíte de Trump, classificado como “glorificação da violência”. Na ocasião, o presidente americano escreveu que “quando começam os saques, começam os tiros”, em referência à violência dos protestos pela morte de George Floyd. Naquele caso, a empresa também optou por manter a postagem.

No Brasil, em março o Twitter apagou duas postagens feitas pelo presidente brasileiro Jair Bolsonaro, considerando que violavam as regras de uso ao potencialmente colocar as pessoas em maior risco de transmitir o coronavírus.

Os posts eram de vídeos de um tour que o presidente fez no Distrito Federal, no qual ele citava o uso de cloroquina para o tratamento da doença e defendia o fim isolamento social. Depois do Twitter, Facebook e Instagram também apagaram as postagens.

Pesquisas em duas bases de dados mostraram que a cloroquina e a hidroxicloroquina foram as substâncias mais citadas em todo o mundo entre os medicamentos apontados como tratamentos para a Covid-19 em peças de desinformação.

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