5 de agosto de 2020Informação, independência e credibilidade
Economia

Financial Times: Real é a moeda com pior desempenho do mundo e vai piorar ainda mais

Instabilidade do governo e juros extremamente baixos arruinaram a confiança dos investidores internacionais

Segundo o britânico Financial Times, o real brasileiro já é a moeda com o pior desempenho do mundo este ano, mas analistas e investidores alertam que ainda deve cair ainda mais.

A maioria das moedas de mercados emergentes sofreu fortes impactos como resultado do surto de coronavírus em várias, incluindo a lira turca, atingindo baixos recordes. Mas o real ainda se destaca, com uma queda de 32% em relação ao dólar desde janeiro.

No início do ano, os investidores podiam receber R$ 4 por dólar, mas em meados de maio o dólar valia R$ 5,96, marcando o ponto mais fraco de todos os tempos para a moeda brasileira. Agora, alguns dos mais influentes bancos de negociação de moedas acham que pode passar dos R$6. E ir além.

“É improvável que o ritmo de declínio que vimos continue, mas esperamos que o real se enfraqueça um pouco mais. A maneira que presidente Jair Bolsonaro lidou com a crise do Covid-19 minou a confiança e o país tem altos riscos políticos, enquanto as taxas de juros agora são muito baixas”. Xueming Song, do portfólio Song

Goldman Sachs agora espera que o dólar seja negociado a seis reais daqui a três meses, a partir de sua previsão anterior de R$ 5,25. Os analistas do HSBC elevaram sua previsão para R$ 6,20 até o final do ano, ante R$ 4,90 anteriormente. Já o JPMorgan prevê uma quebra dos seis reais em junho.

Ruínas

No final do ano passado, os investidores escolheram o Real como uma de suas apostas favoritas para 2020. As previsões de consenso eram de 2% de crescimento econômico, e o governo iniciou uma série de reformas ambiciosas sob a orientação de Paulo Guedes, o ministro da Economia, que recebeu boas críticas de gestores internacionais de fundos.

Mas seis meses depois, Guedes parece ficar de fora e o presidente corre o risco de sofrer um impeachment. O Brasil tem o terceiro maior número de infecções por coronavírus no mundo.

“A história do Brasil recebeu um enorme chute na cara”. Luis Costa, estrategista do Citi em Londres.

O FMI espera que a economia encolha em 5,3% ano. Nos primeiros quatro meses do ano, os mercados brasileiros de ações e renda fixa registraram saídas de US $ 44 bilhões de investidores internacionais e locais, segundo estimativas da Ashmore.

Juros

No passado, os investidores eram compensados ​​pela política turbulenta do Brasil pelas taxas de juros significativamente mais altas em comparação aos mercados desenvolvidos. No início de 2019, a principal taxa de juros de referência era de 6%. Mas depois de três cortes nas taxas este ano, a taxa agora é de 3%, com outros 75 pontos base de cortes esperados.

O Banco Central do país também está explorando a adesão a outros mercados emergentes na compra de títulos do governo, semelhante aos programas de flexibilização quantitativa em andamento nos mercados desenvolvidos. as taxas de juros enfraqueceram uma fonte importante de apoio ao real.

Wim-Hein Pals, gerente de portfólio líder para mercados emergentes do gerente de investimentos de Roterdã, Robeco, disse que as taxas de juros mais baixas enfraqueceram uma importante fonte de apoio ao real.

“O Brasil me deixa um pouco nervoso porque o país não tem o melhor histórico de gerenciamento da inflação”. Wim-Hein Pals.

O Sr. Pals disse que a moeda está começando a parece “um roubo” nos níveis atuais. Mas ele acrescentou que, dados os riscos de novas quedas, ainda é cedo para comprar.

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