8 de agosto de 2020Informação, independência e credibilidade
Política

Flávio Bolsonaro diz que queria Queiroz de novo como seu assessor no Senado

“Ele seria meu assessor se nada de anormal tivesse acontecido”, disse o senador

Flávio e Queiroz: envolvidos em processo de corrupção

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou em depoimento ao MPF (Ministério Público Federal) que teria contratado Fabrício Queiroz como seu assessor no Senado se “nada de anormal tivesse acontecido“.

O filho mais velho do presidente foi interrogado em 20 de julho e os detalhes do depoimento foram publicados neste sábado, 1º,  pelo jornal O Globo (exclusivo para assinantes).

Fabrício Queiroz foi assessor de Flávio no período em que o hoje senador foi deputado estadual no Rio de Janeiro, de 2007 a 2018. Ele foi exonerado do cargo em outubro de 2018. De acordo com o suplente de Flávio no Senado, Paulo Marinho (PSDB), o filho do presidente decidiu por demitir seu antigo braço direito depois de ter sido informado de operação policial que atingiria Queiroz.

Ao ser indagado pelo procurador Eduardo Benones sobre o motivo da exoneração de Queiroz, Flávio disse que teria levado seu antigo assessor para trabalhar com ele no Senado caso não tivesse sido revelado relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que apontou movimentações atípicas nas contas de Queiroz.

A expectativa era que ele [Queiroz] viesse comigo mesmo. Sempre foi uma pessoa da minha confiança”, disse o senador. “Se não tivesse acontecido nada de anormal, como aconteceu, ele provavelmente estaria aqui [no Senado] comigo hoje. As coisas foram acontecendo nesse cronograma e explodiu essa situação dele em dezembro, dia 6 de dezembro. Obviamente que não tinha mais clima dele ir trabalhar comigo.

Flávio negou que tenha sido beneficiado por suposto vazamento da operação Furna da Onça, deflagrada no fim de 2018 pela Polícia Federal, ou que tenha demitido seu antigo assessor por essa razão. Afirmou que exonerou Queiroz de seu gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) porque seu então assessor teria relatado que queria cuidar da saúde e fazer o processo para se aposentar da Polícia Militar.

Ele me falou duas coisas: ‘Chefe, tenho que fazer meu processo de passagem para a reserva da PM…’ Aí ele reclamou comigo que tava saindo sangue nas fezes dele“, afirmou o senador. Queiroz enfrenta 1 câncer descoberto naquele mesmo ano, em 2018.

O relatório do Coaf mencionado pelo senador no depoimento indicava movimentações financeiras atípicas nas contas de Fabrício Queiroz. Somavam R$ 1,2 milhão, no período de janeiro de 2016 a janeiro de 2017.

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