21 de janeiro de 2020Informação, independência e credibilidade
Policia

Gabinete de Bolsonaro comprou passagens para o Rio no dia da morte de Marielle

Então deputado, Jair teve intoxicação alimentar e reduziu atividades; Trajeto do voo dura 1h e 40 minutos; Carlos entrou em contradição sobre estar ou não em casa no dia do crime e saiu das redes sociais

Um tuíte da jornalista Thais Bilenky no dia 14 de março de 2018, data em que a vereadora Marielle Franco (PSol) e o motorista Anderson Gomes foram assassinados no Rio de Janeiro, revela que Jair Bolsonaro poderia estar em sua casa no momento em que um porteiro do condomínio teria interfonado para anunciar a chegada de Elcio Queiroz, um dos acusados do crime.

A jornalista, ex-Folha de S.Paulo e atual revista Piauí, tuitou na ocasião que Bolsonaro teve “intoxicação alimentar” e voltou mais cedo para o Rio, creditando as informações à assessoria do então deputado. O tempo estimado de voo entre o Rio de Janeiro e Brasília é 01 hora e 38 minutos.

No mesmo dia, Jair Bolsonaro havia comprado dois bilhetes aéreos com destino ao Rio, ambos pela Gol: um de código WQ2GUH, com destino ao aeroporto Santos Dumont e outro, de código YG3JQI, dirigindo-se ao Galeão. O do Santos Dumont, no dia seguinte, foi estornado, possivelmente por não ter sido usado.

Após reportagem do Jornal Nacional, que revelou que o porteiro do condomínio Vivendas da Barra, teria ligado para a casa 58, de Bolsonaro, e teria sido autorizado pelo “Seu Jair” a permitir a entrada de Élcio Queiroz, o presidente reagiu aos berros em uma live, dizendo que estava em Brasília, cumprindo, segundo ele, intensa agenda no Congresso.

Na noite da morte, Jair Bolsonaro apareceu ao lado do então deputado Alberto Fraga, no plenário da Câmara, enquanto o ex-deputado discursava a favor de um requerimento apresentado por ele para pedir a urgência na votação de um projeto de segurança pública.

A íntegra do vídeo está no perfil do YouTube da Câmara dos Deputados e Bolsonaro votou pela aprovação deste requerimento às 19h36m. O vídeo é a mais uma evidência de que a versão apresentada por Bolsonaro é a verdadeira, mas a história segue repleta de furos e, além da portaria do condomínio do presidente permitir acesso ao celular dos moradores, Carlos Bolsonaro entrou em contradição.

Carlos e o pai Jair Bolsonaro negam contato com Élcio de Queiroz, suspeito da morte de Marielle, no dia do crime

Carlos Bolsonaro sumiu

A revelação desta publicação vem na mesma semana em que Carlos Bolsonaro some das redes sociais. Vale lembrar também que Carlos se contradisse quando alegou em seu Twitter que não estava em casa na tarde do dia do crime.

Primeiro afirmou que estava na Câmara do Rio e depois falou que estava em casa às 17h58. Portanto, novamente, dúvidas pairam sobre o caso Marielle e o envolvimento dos Bolsonaro.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o presidente e o vereador Carlos Bolsonaro sejam alvo de inquérito para apurar se ambos cometeram o crime de obstrução de Justiça ao obter dados da portaria do condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro.

Reações ao atentado

O deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) apagou uma publicação em sua rede social em que prestava condolências às famílias da vereadora —Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes, mortos a tiros:

“Meus sentimentos às famílias da vereadora Marielle Franco e de seu motorista. Apesar de profundas divergências políticas, sempre tive relação respeitosa com ela. A impunidade e a legislação penal frouxa seguem estimulando a violência”. Flávio Bolsonaro, no dia da morte de Marielle Franco.

Antes de deletar o texto, Flávio foi elogiado por alguns e criticado por tantos outros de seus 263 mil seguidores na rede social, onde ele se define como “reacionário, reajo a tudo que não presta, como a esquerda, por exemplo“.

Curiosamente, segundo notícia da Folha no mesmo dia, o pai, então deputado federal e pré-candidato à Presidência, Jair Bolsonaro, também não quis se manifestar sobre o assunto porque, segundo seu assessor, ele está com intoxicação alimentar e sua opinião seria polêmica demais.

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