10 de abril de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

‘Gabinete do ódio’ se transforma no Conselho da República de Bolsonaro

Os alvos preferenciais são o Congresso, o STF, governadores e a imprensa.

Bolsonaro: conselho só os dos filhos e o do guru Olavo de Carvalho

O presidente Jair Bolsonaro se isolou ainda mais na crise do coronavírus. Desde que a calamidade pública começou a assombrar o dia a dia da população, Bolsonaro deu mais poder ao “gabinete do ódio“, núcleo ideológico que o incentiva a adotar um estilo mais beligerante.

Foi aí que começou a atacar os governadores, a imprensa e desautorizou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Diante da pandemia, o presidente nem cogitou a possibilidade de convocar o Conselho da República. Em conversas reservadas, ele chegou a dizer que não vai ficar “refém” de conselhos existentes no governo.

Uma foto que circula nas redes sociais sob o título “Modelo de Comunicação Institucional” mostra Bolsonaro de bermuda nos jardins do Palácio da Alvorada, em posição de “pronunciamento”, na frente dos três filhos parlamentares.

Sem camisa, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), uma espécie de gerente do “gabinete do ódio”, e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), também de bermuda, gravam o pai pelo celular. Com as mãos no bolso, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), filho “zero um”, acompanha a cena, mas não participa da filmagem.

Bunker

Na prática, o núcleo que ficou conhecido como “gabinete do ódio” virou o Conselho da República de Bolsonaro. O bunker ideológico, que já deixou digitais na queda de popularidade do presidente, é composto por seguidores do escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, e vive em confronto com generais do governo.

Defensores da pauta de costumes e de uma estratégia de guerra, integrantes desse grupo trabalham no terceiro andar do Planalto, a poucos metros de Bolsonaro. Produzem “artilharia pesada” para mídias digitais, além de conteúdos para pronunciamentos do presidente, como o da noite de anteontem, quando ele criticou o fechamento de escolas para combater a pandemia e o confinamento em massa.

Seus alvos preferenciais são o Congresso, o Supremo Tribunal Federal (STF), governadores e a imprensa.

Enquanto isso, o Conselho da República, previsto na Constituição, continua esquecido. O colegiado de consulta do presidente já foi acionado por outros chefes do Executivo em situações de crise. O então presidente Michel Temer convocou o Conselho da República, em 2018, para discutir a intervenção federal na segurança pública do Rio.

As atribuições desse núcleo de assessoramento do chefe do Executivo incluem manifestações sobre casos de intervenção federal, estado de defesa e de sítio e temas considerados relevantes para a estabilidade das instituições democráticas. Compõem o colegiado o vice-presidente da República, os presidentes da Câmara e do Senado, os líderes da Maioria e da Minoria das duas Casas e o ministro da Justiça. Além disso, pela lei, seis brasileiros natos, com mais de 35 anos, devem fazer parte do Conselho da República.

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