7 de dezembro de 2019Informação, independência e credibilidade
Política

Governo Bolsonaro comemorou 300 dias apresentando dados falsos e fake news

Alguns dos pontos apresentados foram destacados de tão gritantes que eram se comparados com a verdade

Na celebração dos 300 dias da gestão de Jair Bolsonaro (PSL), o governo divulgou um balanço que apresenta, entre as medidas, ações superdimensionadas, informações que divergem de dados divulgados por órgãos oficiais e trechos com abordagem ideológica.

A cerimônia reuniu autoridades no Palácio do Planalto, na terça-feira (5), para discurso de Bolsonaro e assinatura de projetos, mas alguns dos seus pontos foram destacados pela Folha, de tão gritantes que eram se comparados com a verdade:

No evento, a Presidência distribuiu à imprensa um documento intitulado “300 Dias Recuperando a Confiança”.

Logo na abertura do balanço, a equipe de Bolsonaro afirma que “os escândalos de corrupção sumiram do Palácio do Planalto e dos noticiários”.

  • Não sumiram. Laranjal do PSL, ministros demitidos, Queiroz, milícias e os filhos são algumas das peças do escândalo.

Na área ambiental, o levantamento sustenta ter havido “redução das queimadas no Brasil entre janeiro e agosto”. O documento não apresenta nenhum número.

  • Claro, não mencionaram os ataques ao Inpe e as queimadas na Amazônia.

O documento exalta também a “queda da criminalidade” no primeiro semestre de 2019.

  • O combate a esses ilícitos é tarefa dos estados, os quais assumem a responsabilidade pela segurança pública.

A questão agrária foi incluída no trecho do balanço sobre o combate ao crime. Segundo o governo, registrou-se uma ocupação de terras no primeiro trimestre, contra 43 em 2018.

  • O MST informou que houve cinco ocupações no primeiro trimestre e que a redução dessas atividades se deve a outras pautas, como a campanha contra a reforma da Previdência e o movimento Lula Livre.

Há uma menção a uma suposta doutrinação de esquerda que seria dominante na educação. O tema faz parte do discurso bolsonarista: “Por anos, o futuro do Brasil foi criminosamente jogado na sarjeta das ideologias revolucionárias”.

  • O MEC (Ministério da Educação) não comentou sobre quais evidências fundamentam essas afirmações.

Quem lê o documento encontra que o governo realizou “investimentos nas universidades, na ciência e na tecnologia”.

  • Realidade foi de escassez de recursos para o ensino superior público, ataques à qualidade (balburdia) das universidades e cortes de bolsas de pesquisa.

Já no caso do Mais Médicos, o texto dá destaque ao que chama de “revisão” das regras do programa visando o “combate a diretrizes que praticamente escravizavam os médicos cubanos”.

  • Cubanos não fazem mais parte do programa desde novembro do último ano, quando o país caribenho declarou que romperia o contrato por causa da declarações polêmicas de Bolsonaro.

Na economia, o governo menciona a criação de vagas com carteira assinada neste ano, mas omite o recorde de informalidade no país.

  • No dia 31, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou que houve uma alta 2,9% no número de trabalhadores sem carteira assinada no terceiro trimestre, atingindo 11,8 milhões de pessoas, patamar mais alto da série histórica.

 

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