14 de novembro de 2019Informação, independência e credibilidade
Política

Grupo da família Collor tem dívidas de R$ 284 milhões

Procuradora-geral da República, Raquel Dodge quer a que ele seja condenado a 22 anos de prisão e a cassação de seu mandato

Collor: cheio de dívidas, tirou licença de três meses do Senado e está nos EUA

Nesta sexta-feira (10), o senador Fernando Collor de Mello (Pros-AL), principal acionista das empresas da família Collor, teve detalhada no UOL, pelo jornalista Carlos Madeiro, as dívidas de R$ 284 milhões com a União.

O senador é denunciado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que o acusa de corrupção e lavagem de dinheiro, graças as popinas recebidas por meio de contratos da BR Distribuidora.

A reportagem menciona a predileção do ex-presidente por mansões, obras de arte e carros de luxo em contraste com as dívidas, sendo que 95% desse valor milionário são em duas firmas do grupo: a TV Gazeta de Alagoas e o jornal Gazeta de Alagoas, ambos citados na ação penal contra Collor.

A OAM (Organização Arnon de Mello), que reúne um grupo de dez empresas que usam o nome Gazeta, tem grande parte de suas dívidas de R$ 147 milhões em dívidas de Imposto de Renda, PIS, Cofins e multas, além de ex-funcionários acusarem o não pagamento de direitos trabalhistas. São 173 ações na Justiça do Trabalho.

Desde 2001, o Ministério Público do Trabalho contabilizou mais de 100 procedimentos abertos envolvendo as empresas dos Collor. Um quarto delas envolviam pagamento de FGTS e contribuições previdenciárias. Hoje, há nove inquéritos trabalhistas abertos contra a empresa.

No início de maio, uma pesquisa realizada pelo Poder360 já revelava que as empresas do senador Fernando Collor, em Alagoas, deram um calote de mais de R$ 140 milhões na previdência social.

No mesmo período, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região mandou a leilão a máquina rotativa que imprime o jornal Gazeta de Alagoas, exatamente para atenuar o volume de débitos com o INSS. A Gazeta perdeu recurso judicial que tentava impedir o leilão da máquina impressora de jornais.

Raquel Dodge quer o senador Collor preso

Raquel Dodge

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, foi taxativa no Supremo Tribunal Federal (STF). Ela quer que a corte condene o senador Fernando Affonso Collor de Mell (Pros) a 22 anos, 8 meses e 20 dias de prisão, além da cassação de seu mandato.

Ela também propõe que seja imposta a Collor uma multa de 1.400 salários mínimos, em valor igual ao da época em que os crimes atribuídos a ele foram cometidos.

O grupo do ex-presidente é acusado de ter recebido R$ 29,95 milhões em propina entre 2010 e 2014. Apenas Collor, segundo a PGR, ficou com R$ 9,6 milhões por viabilizar um contrato de troca de bandeira de postos de combustível celebrado entre a Derivados do Brasil (DVBR) e a BR Distribuidora. Ainda não há data prevista para o julgamento, que será feito pela Segunda Turma do STF.

Há muito mais de um mês o senador Fernando Collor já sabia que teria seu pedido de prisão por 22 anos feito pela Procuradoria Geral da República. Para não passar pelo vexame, tratou logo de se licenciar do Senado, chamar a suplente Renilde Bulhões para assumir, e se mandar com a família para os Estados Unidos, onde está longe do burburinho.

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