11 de dezembro de 2019Informação, independência e credibilidade
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Jornalista Miguel Torres encerra o ciclo entre nós. Segue em paz, companheiro!

O velório aconte hoje à noite no Memorial Parque Maceió, no Benedito Bentes; o sepultamento, amannhã (25) â tarde

Miguel Torres: a partida de um companheiro valoroso

A alegria fez pausa. O sorriso murchou no meio jornalístico alagoano. Foi confirmada agora, no final da tarde desta sexta-feira (25), a morte do jornalista Miguel Torres.

Ele estava internado desde o dia 17, no Hospital Memorial Arthur Ramos, onde se submeteu a uma cirurgia para retirada de um tumor benigno no cérebro. No pós-cirúrgico seu quadro clínico se agravou em decorrência da pressão intracraniana, evoluindo para o comprometimento das funções renais e neurológicas, e desde então ele estava em coma induzido, na UTI do hospital, mantendo a estabilidade do quadro grave de saúde, por meio de aparelhos.

Na terça-feira à noite, os aparelhos foram desligados para um teste e ele reagiu positivamente, deixando todos os familiares e amigos muito animados e esperançosos de uma recuperação.Mas a morte cerebral foi confirmada na quinta-feira à noite, e o falecimento se completou hoje, com a parada cardíaca.

SORRISO FÁCIL

De alegria impar, o sorriso de Miguel Torres era uma porta sempre escancarada à boa convivência. Profissional competente, ele se fez respeitado e conquistou grandes amigos por onde passou.
Graduado pela Universidade Federal de Alagoas, além de ser um dos bons e mais experientes jornalistas alagoanos, Miguel também era ator.

No jornalismo, ele atuou por alguns anos, como repórter e apresentador da TV Gazeta, foi assessor de imprensa da Transpal, trabalhou no rádio e atualmente atuava como editor do programa Cidade Alerta Alagoas, na TV Pajuçara.

Era também funcionário concursado do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP), que agrega, entre outros canais de comuncação, a TV Educativa, onde ele apresentou o programa de entrevistas Pauta Especial.

Solidario, amigo bom, camarada, mesmo já ciente de que tinha um tumor no cérebro, Miguel participou ativamente da greve dos jornalistas alagoanos, dois meses atrás, com a alegria de sempre, levando aos colegas, diariamente, a força da sua presença e da sua solidariedade.

MENSAGENS

Nas redes sociais, tem sido muitas as manifestações de carinho nesse momento de grande perda para o jornalismo alagoano.
“Miguel é um espírito maravilhoso. Agradeço a Deus a oportunidade de ter convivido com ele, que me deu prova de sua amizade fraterna”, Gésia Malheiros, ex-colega do TNH1.

“Miguel foi um guerreiro em todos os sentidos. Fez a guerra do bem, da valorização profissional, da solidariedade aos companheiros, da justiça social. Fica para nós aqui a lembrança de um companheiro que dignificou a atividade no jornalismo alagoano”. Marcelo Firmino, editor geral do Eassim.net

O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, Izaías Barbosa, também lamentou a morte de Miguel Torres e destacou as qualidades profissionais do jornalistas em todas áreas onde ele atuou.

“Na recente greve dos jornalistas, Miguel Torres foi um dos símbolos de luta pelas melhorias para a categoria. Em seus discursos emocionou a todos e inspirou a classe a lutar pelos seus direitos, porque sempre fez isso durante sua linda trajetória no jornalismo Alagoano”, lembrou o presidente do Sindjornal, prestando, em nome da categoria, solidariedade à família e colocando-se à disposição para o que for necessário.
O velório será hoje à noite, no Memorial Parque Maceió, no Benedito Bentes, e o sepultamento, amanhã (25), à tarde, no mesmo local.

Miguel, um jeito único de ser ele mesmo

Cada pessoa tem um DNA, aquilo que a distingue de qualquer outra e a faz única no universo inteiro. O jornalista Miguel Torres – nosso companheiro de jornada, nas emissoras do Instituto Zumbi dos Palmares – tem uma risada peculiar, sabida de todos, que denuncia sua presença e contagia até os mais sisudos e mal humorados. De longe, a gente já sabe que ele chegou!

É assim que se faz apresentar, como quem entrega um cartão de visitas ou anuncia a estreia de um grande espetáculo: a vida. É dessa forma que ele transforma a atmosfera dos ambientes que o recebem, retribuindo o acolhimento com esse som muito próprio, com um olhar de ternura que mais parece abraço. A silhueta enorme disfarça bem a criança matreira que adora cometer ingênuas travessuras. Aliás, é bem possível que Miguel tenha ficado tão grande para poder abrigar o coração gigante.

E então a prosa fica fácil, todos os nós se desatam e as rodas se animam, na voz de trovão. Quem não tem uma história pra contar, sobre o convívio com ele? Quem nunca chorou de rir com suas narrativas espirituosas, arrematando os assuntos com finais hilários?

Tem lá suas dores, como é humano tê-las. Mas elas não transbordam em seu entorno, na forma de amargura e aspereza. Entre um dissabor e outro, a gargalhada revela pactos de cumplicidade com a vida e o infinito desejo de estar feliz e partilhar pequenas e grandes felicidades. Foi assim que entrou na sala de cirurgia. Apesar dos riscos, já conhecidos e aceitos, posou para a foto, sorriso no rosto, os dedos em sinal de paz & amor.

Sem dúvida, Miguel é uma criatura de soluções simples e harmônicas, daquelas que agregam e criam pontes. Uma dessas soluções surgiu quando os três filhos mais velhos começaram a cobrir as paredes de casa com desenhos em lápis de cor e giz de cera. A traquinagem impedia qualquer projeto que incluísse manter as paredes limpas. Mestre na arte da mediação, Miguel fez uma proposta irrecusável: “vocês escolhem uma das paredes e podem riscar à vontade, mas só aquela, hein?”. Trato feito, trato cumprido. A bagunça foi organizada; a paz restabelecida.

Mas que não se tente enquadrar o Miguel em qualquer padrão, ele não cabe em nenhum. Que não se pretenda colocá-lo em caixinhas e gavetas de arquivos. O grandão caminha por espaços inusitados. Move-se, com seus passos pesados e lentos, por labirintos que misturam magia e simplicidade. Gentileza e carisma. Cultiva sua própria maneira de amar, respeitando todas as outras.

Mas o melhor é que, por tudo isso e mais o que não coube nessas linhas, ele nos conquistou de forma incondicional e definitiva. Abriu trincheiras em nossos corações, carimbou imensa afeição em nossas vidas. Eis o porquê da imensa saudade que nos surpreende e entristece.

Ah, Miguel, finja que vai ali, na copa, e volta já já, para a redação, com uma caneca de café fumegante, uma garrafinha de água e uma gargalhada. Se não for possível, companheiro, saiba que sua passagem deixa afinadas notas de amor, entre nós. E é em nome dele que vamos cuidar de sua memória e do seu legado. Vai com Deus, que haja luz e sabedoria por essas novas veredas.

#Instituto Zumbi dos Palmares (Homenagem dos colegas do Instituto Zumbi dos Palmares)

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