12 de agosto de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Justiça: Deputada tem que apagar pedido para filmar professores

Deputada violou princípios constitucionais como o da liberdade de expressão da atividade intelectual, científica e de comunicação

A Justiça de Santa Catarina determinou que a deputada estadual eleita pelo PSL Ana Caroline Campagnolo retire imediatamente das redes sociais as manifestações para que alunos denunciem o comportamento de professores em sala de aula.

A decisão foi proferida pelo juiz Gioliano Ziembowicz e atende, parcialmente, ao pedido de liminar do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Para o MP, a deputada violou princípios constitucionais como o da liberdade de expressão da atividade intelectual, científica e de comunicação. A sentença prevê multa diária de R$ 1 mil, caso o conteúdo não seja retirado das redes.

Doutrinação

Ela se diz contra a doutrinação partidária e ideológica por parte de docentes e venceu levantando a bandeira da “Escola Sem Partido”. Professores e profissionais da educação reagiram à postagem da deputada. Disseram que a medida é “um ataque à liberdade de ensinar” e caracteriza assédio e ameaça aos educadores.

Curiosamente, posou para foto com aluno em sala de aula vestindo camisa nas cores da bandeira nacional e rosto do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). As fotos foram postadas por Campagnolo no Instagram em 10 de novembro de 2017. Na rede social, a professora diz que a direita não precisou “do jogo sujo doutrinador da esquerda para levantar”. Em tempo: ela tem um apartamento financiado pelo Minha Casa, Minha Vida.

Gemidão do Zap

Para rebater a proposta da deputada estadual eleita, um perfil propôs doar R$ 5 mil à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) caso 100 “gemidões” fossem enviados para o número criado pela parlamentar para realizar as denúncias. A campanha fez sucesso.

Nas caixas de mensagens, internautas aparentemente “denunciam” os professores e acrescentam “a prova do crime”. “Olha o áudio do meu professor humilhando um colega de classe que declarou voto no Bolsonaro”, enviou uma usuária pelo WhatsApp, seguido do áudio constrangedor. Em uma hora, a campanha já tinha ultrapassado a marca das 100 mensagens enviadas.

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