25 de maio de 2020Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Lagartas devastam produção de pinhas em Estrela de Alagoas

Lagarta dos capinzais, tomou conta de pelo menos 30 propriedades.

As plantações de pinha no município de Estrela de Alagoas, agreste do Estado, vêm sendo devastadas por um inimigo minúsculo e aparentemente frágil, mas de alto poder destrutivo.

A Gonodonta sp., popularmente conhecida como lagarta dos capinzais, tomou conta de pelo menos 30 propriedades. O prejuízo já está acima do nível de dano econômico. Muitos produtores rurais perderam praticamente toda a safra para 2020.

Aos 62 anos, o agricultor José Augusto dos Santos olha para as 40 tarefas da sua propriedade e lamenta.

“Dessa atividade eu tiro o meu sustento, da mulher e de oito filhos, vendendo pinha para Recife, Maceió e Aracaju. Essa lagarta já tinha aparecido outras vezes, a última acho que há uns cinco anos, mas sempre em um pé aqui, outro acolá. Agora acabou com 90% da plantação. A gente não sabe o que fazer, porque não dá para plantar milho ou feijão, o comércio é pouco e o tempo não ajuda. Meus filhos tiveram que buscar serviço fora”. José Augusto dos Santos, agricultor.

Preocupados com as perdas, produtores procuraram o presidente do Sindicato Rural da região de Palmeira dos Índios, Nielson Barros.

“Visitei algumas propriedades e, diante da gravidade da situação, solicitei o apoio da assistência técnica do Senar Alagoas, pois os agricultores não sabiam como lidar com uma praga tão devastadora. A ajuda veio por meio do projeto Agronordeste”. Nielson Barros, presidente do Sindicato Rural da região de Palmeira dos Índios.

O trabalho de assistência técnica começou no início deste mês. Os 30 produtores são atendidos pela engenheira agrônoma e técnica de campo do Senar Alagoas, Ellen de Oliveira.

“Na primeira visita às propriedades, percebi que todas estavam sendo atacadas e não havia nenhum controle. Alguns agricultores utilizavam inseticidas próprios para matar baratas e mosquitos, mas que não fazem efeito nesta praga, porque essa lagarta só pode ser controlada quando ainda está na fase inicial”. Ellen de Oliveira, engenheira agrônoma e técnica de campo do Senar Alagoas.

A engenheira agrônoma vem orientando os produtores rurais sobre a utilização de produtos mais adequados e a importância da poda e da limpeza da área de plantio. Segundo Ellen, a presença da Gonodonta sp. é mais comum em capinzais e não há remédio específico para esta praga, principalmente, na cultura da pinha.

“Por ela ser uma lagarta desfolhadora, nós indicamos os produtos utilizados para o combate a outros tipos de lagartas que mastigam as folhas, como a helicoverpa ou a spodoptera”. Ellen de Oliveira.

A ausência de tratos culturais adequados e de um controle preventivo agravou a situação. Para Ellen, se a assistência técnica do Senar tivesse sido solicitada antes, o problema teria sido evitado.

“Quando você tem uma área de 50 pés de pinha e apenas dois apresentam essa lagarta, é possível fazer o controle até mesmo com a catação manual, para que a praga não se espalhe. Outra medida importante é evitar capim ao redor da planta. Não se pode controlar esta lagarta na fase adulta. Depois que cresce, é preciso esperar virar mariposa para fazer o controle. Neste momento, há muitas mariposas nas propriedades de Estrela de Alagoas e agora precisamos trabalhar para que o ciclo da praga seja quebrado”. Ellen de Oliveira.

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