12 de agosto de 2020Informação, independência e credibilidade
Maceió

Mas e a retomada? Comitê Científico do Nordeste recomenda lockdown para Maceió

Dados mostram que não há a possibilidade de nenhuma flexibilização ser implementada, nem no interior, nem na capital e teme efeito bumerangue

Em seu boletim mais recente, o Comitê Científico do Nordeste recomenda o lockdown em Maceió e em outras cidades do Nordeste. Exatamente na véspera da entrada em vigor de novo decreto na Capital de Alagoas, que segundo os parâmetros estaduais, está na “fase laranja” e pronto para retomada.

Entretanto, apesar de ter apresentado um crescimento bem menor de casos, e de óbitos, nos últimos 14 dias, Maceió ultrapassou há vários dias o limite de ocupação máxima de leitos de UTI preconizado pelo comitê (80%). Informações preliminares indicam que uma fração importante destas internações são de pacientes vindo do interior do estado.

Assim, dado o iminente risco de Maceió sofrer um grande acúmulo de casos provenientes do interior, o comitê recomenda a decretação de um lockdown na cidade, que incluiria o controle das rodovias que se dirigem ao interior do estado, ou a outros estados nordestinos (BR-101).

Baseado na análise de risco do Comitê Científico do Nordeste, não há a possibilidade de nenhuma flexibilização ser implementada, nem no interior, nem na capital de Alagoas neste momento.

Flexibilização essa que veio após muita pressão do setor comerciário, impaciente com os 100 dias de decretos de emergência. Uma reclamação justa, mas sair de uma quarentena que nunca se entrou não deu certo em nenhum lugar do mundo. O problema não é a Economia, mas a Pandemia.

Alagoas

No período de 14 a 27 de junho, Alagoas continuou a registrar um crescimento de casos de coronavírus por todo o Estado. Apesar de um crescimento moderado de casos novos em Maceió (36%), cidades importantes do interior alagoano, como Palmeira dos Índios (62%) e Arapiraca (77%) apresentaram taxas altas de crescimento de casos.

Cidades interioranas menores, como Campo Alegre (310% de aumento de casos), continuaram apresentando crescimento de casos expressivos. Análise dos casos acumulados por 100 mil habitantes revelam taxas extremamente altas por todo estado, como em Jequiá da Praia (2.115 casos por cem mil), Porto Calvo (1.704 casos por 100 mil) e Marechal Deodoro (2.385 casos por cem mil).

Apesar do Rt (fator de reprodução) de Maceió estar se aproximando de 1 (1.08), o mesmo parâmetro continua extremamente alto em várias cidades do interior do estado.

Todos estes parâmetros indicam que Alagoas pode enfrentar um efeito bumerangue de grande monta, onde casos graves provenientes do interior levam a uma sobrecarga ou mesmo colapso do sistema hospitalar da capital, Maceió.

Suporte a esta tese provém da observação que, no dia 29 de junho de 2020, os 5 maiores potenciais surtos de Alagoas se situam no interior do estado, nos municípios de Delmiro Gouveia, Girau do Ponciano, Palmeira dos Índios, Taquarana e União dos Palmares. Como na maioria dos estados nordestinos, Alagoas está começando a sofrer com as consequências do “efeito bumerangue”.

Desta forma, devido a alta taxa de ocupação de leitos de UTI, verificada nos últimos dias, o Comitê recomenda o lockdown da cidade de Maceió, que deveria incluir barreiras sanitárias e controle de tráfego de carros particulares e ônibus intermunicipais pelas principais rodovias que deixam a capital em direção ao interior do estado.

Estes são os números mais recentes da pandemia em Alagoas: o estado tem um total de 37.328 casos confirmados do novo coronavírus até o momento, dos quais 6.821 estão em isolamento domiciliar e 229 internados em leitos públicos e privados. Outros 29.185 pacientes já estão recuperados da doença. Há 2.560 casos em investigação laboratorial. Foram registradas 1.091 óbitos por Covid-19.

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