28 de fevereiro de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Mataram o miliciano Adriano Nóbrega, ex-assessor de Flávio Bolsonaro

O miliciano Adriano Nóbrega era considerado um arquivo vivo do Escritório do Crime do Rio de Janeiro

Adriano Nóbrega chegou a ser homenageado por Flávio Bolsonaro na ALE do Rio de Janeiro

O ex-capitão do BopeAdriano Magalhães da Nóbrega foi morto na manhã deste domingo, na Bahia,  durante uma operação do Bope – Batalhão de Operações Especiais, com apoio do setor de inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Apontado como autor de diversos homicídios, o ex-militar era um dos criminosos mais procurados do Rio, inclusive com alerta vermelho da Interpol, o ex-militar foi assessor do senasor Flávio Bolsonaro e era considerado um arquivo vivo do chamado “Escritório do Crime” carioca. Ele foi indiciado como um dos autores do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson.

O ex-policial militar foi localizado numa área rural do estado da Bahia, no município de Esplanada. A ação teve apoio da Secretaria de Estado de Segurança da Bahia. No início deste mês, a Policia Civil fez uma operaçao na Costa do Sauípe para prendê-lo, mas não o encontrou. Na ocasião, Adriano deixou para trás uma identidade falsa.

Há cerca de um ano, capitão Adriano vinha sendo investigado e monitorado pela inteligência da Secretaria de Polícia Civil, que conseguiu chegar ao paradeiro dele na Bahia. Com apoio operacional do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar da Bahia, foi realizada uma ação com o uso de helicóptero. Segundo a polícia, Adriano era acusado de ser o chefe de um grupo criminoso formado por matadores de aluguel, que ficou conhecido como Escritório do Crime — investigado por suspeita de envolvimento nas mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes. Ele era réu na Operação Intocáveis do Ministério Público do Rio (MP-RJ), que apura a milícia de Rio das Pedras.

Armas apreendidas com Adriano Nóbrega neste domingo Foto: Secretaria de Segurança Pública da Bahia / Divulgação
Armas apreendidas com Adriano Nóbrega neste domingo Foto: Secretaria de Segurança Pública da Bahia / Divulgação

Deflagrada em 22 de janeiro do ano passado, com base em investigações do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-RJ, a “Intocáveis” revelou que o ex-capitão comandava um esquema de agiotagem, grilagem de terras e construções ilegais, com o pagamento de propina a agentes públicos, a fim de manter seus negócios ilícitos, “sempre de forma violenta e por meio de ameaças”. Adriano era o único foragido da “Intocaveis”. Os outros 12 integrantes da milícia de Rio das Pedras estão presos.

Homenagens

O ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega foi alvo de duas honrarias, de louvor e congratulações por serviços prestados à corporação. A primeira, uma moção, ocorreu em outubro de 2003, por comandar um patrulhamento tático-móvel, quando estava no 16º BPM (Olaria). Na época, o militar era primeiro-tenente.

O texto da moção de número 2.650/2003 dizia que ele era homenageado “pelos inúmeros serviços prestados à sociedade”. Flávio Bolsonaro justificou o ato: “no decorrer de sua carreira, atuou direta e indiretamente em ações promotoras de segurança e tranquilidade para a sociedade, recebendo vários elogios curriculares consignados em seus assentamentos funcionais. Imbuído de espírito comunitário, o que sempre pautou sua vida profissional, atua no cumprimento do seu dever de policial militar no atendimento ao cidadão. É com sentimento de orgulho e satisfação que presto esta homenagem”.

As ligações de Adriano com o senador Flávio Bolsonaro não param por aí. A mãe e a ex-mulher do ex-capitão do Bope, Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa, foram lotadas no gabinete dele quando era deputado estadual, em 2018. No mês passado, a família do miliciano foi acusada pelo MP de participar de um suposto esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro, na Alerj. Segundo o pedido de busca e apreensão feito pelos promotores, as duas teriam transferido R$ 203 mil para Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho do presidente. acusado de receber, entre 2014 e 2016, 22 pagamentos no valor de R$ 60 mil, para proteger os empresários do setor de transportes do Rio de eventuais ações judiciais.  (Com o Globo)

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