10 de abril de 2020Informação, independência e credibilidade
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Mercado dá meia volta, retira bilhões da bolsa e deixa a tragédia com o SUS

Na tragédia, o mercado sempre desaparece e deixa o drama para o setor público

Sem a ação do setor público, do desmantelo seria total na saúde do País

Uma das máximas do neoliberalismo é propagandear que o mercado se dando bem, tudo o mais vai ser assim também.

Imagine que o governo Bolsonaro, logo que assumiu, tratou bloquear recursos da educação e da saúde para destinar o dinheiro ao mercado, graças a orientação do ministro Paulo Guedes, um homem a serviço dos investidores.

Veja que na Saúde, só do programa imunização, – fundamental nos dias de hoje – o governo cortou R$  500 milhões no fim de 2019. Era o início do fundamentalismo anti-vacina.

O argumento do Ministério da Economia era exatamente poupar dinheiro para injetar no mercado financeiro, via bancos e fundos de pensão. Notadamente, seguindo a cartilha do estado mínimo, que preconiza o fim do setor público com a cantilena de que tudo que é privado é mais importante para o resto da coletividade.

Nesse ritmo, já agora na pandemia do coronavírus, o governo cortou 158 mil pessoas do Bolsa Família, sendo mais de 60% dos pobres nordestinos e liberou R$ 10 bilhões para os Planos de Saúde. O argumento é contribuir com o combate ao coronavírus.

Caberia a pergunta: – E o usuário que paga um boleto pra lá de salgado dos Planos de Saúde vai ter pelo menos uma mínima redução em suas contas? Caberia, mas, nesse caso releva-se por que a pandemia não está de brincadeira. No entanto, é preciso saber se os planos não vão ao mercado aplicar esse dinheiro.

Eis, portanto, uma questão que quase ninguém quer saber em função da viseira que obriga grande parte a olhar apenas em uma direção, tal como determina o fanatismo.

Já os investidores do mercado fugiram com R$ 35 bilhões.

Mas, mais do que nunca hoje todos estão percebendo a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) para o povo brasileiro. Sem ele, a pandemia que aí está já teria dizimado grande parte da população.

E o mercado? Ah, esse está recolhendo seus milhões de dólares da Bolsa. Nos últimos dois meses, com a crise, os investidores estrangeiros no Brasil retiraram nada menos do que R$ 35 bilhões do mercado acionário e sumiram daqui.

Pois é preciso insistir aonde é que andam os senhores banqueiros de Itaú, Bradesco, Santander, Safra – e tantos outros – com a necessária ajuda aos pobres brasileiros nas favelas e grotões, sob ameaça contundente do coronavírus?

Como diz um amigo meu, talvez estejam comprando patentes para vender remédios contra o vírus, a preço além e muito além do mercado.

Ou seja, é preciso ser dito para ver se os incautos compreendem essa relação: Na hora da festa glamourosa o mercado aparece e diz a todos que o SUS é um problema para o desenvolvimento. Mas, quando chega a endemia, a pandemia ou coisa que o valha, o mercado desaparece e deixa o recado: isso é um problema para o SUS resolver.

Felizmente, o SUS sempre mostra o seu valor. Ainda mais agora na tragédia. Já o mercado do neoliberalismo estoca seus dólares.

Sabe-se lá onde.

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