19 de janeiro de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Nazistas estão saindo do armário no Brasil

Uso da suástica é crime, resultando em pena de dois a cinco anos de prisão e multa

No último sábado (14), em Unaí (MG), o empresário pecuarista José Eugênio Adjuto, de 57 anos, mais conhecido como Zecão Adjuto, virou notícia depois de ir para um bar usando um  braçadeira com o símbolo do nazismo. A Polícia Civil foi acionada, mas nada fez por “insegurança”.

Ou seja: ele era rico e não agia como alguém da extrema-esquerda, mas sim como alguém da extrema-direita – curiosamente, no Museu do Holocausto em Israel, o presidente Jair Bolsonaro reafirmou que o nazismo é de esquerda. Orientado por seu guru e aliados, o Itamaraty é um dos que passa a mensagem de que nazismo é de esquerda.

Independente disso, o crime não poderia ser mais claro, pois este fere o artigo 20 da Lei nº 7.716, de 1989, que diz que é proibido “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”. A pena é de dois a cinco anos de prisão e multa.

Agora, nesta quinta-feira (19), em Curitiba, outro nazista foi flagrado ostentando o símbolo da suástica em braçadeira na camiseta. Publicada na página “Plataforma Antifascista”, no Facebook, o garoto, que não teve sua identidade revelada, descansava tranquilamente na praça de alimentação do Jockey, shopping no Centro. E diante desta insurgência, talvez o Brasileiro precise ficar mesmo um pouco preocupado.

Nazistas no Brasil

Em novembro, uma pesquisa da Safernet identificou a existência de 334 células de grupos nazistas em atividade no Brasil. A maioria se concentra nas regiões Sul e Sudeste, mas há registros também em cidades como Fortaleza (CE), João Pessoa (PB) e Feira de Santana (BA). Os grupos se dividem em até 17 movimentos, entre hitleristas, supremacistas/separatistas, de negação do Holocausto ou até seções locais da KKK.

O estado com mais células é São Paulo, com 99 grupos, 28 só na capital, seguido por Santa Catarina (69), Paraná (66) e Rio Grande do Sul (47). Células são grupos de três a 40 pessoas com ideais e atividades comuns e ganhou força no Brasil no início dos anos 2000. Nos fóruns de ódio, é comum observar um discurso onde o branco está sob risco por causa do casamento interracial e da adoção de crianças negras.

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