25 de maio de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

‘No BNDES e na Caixa a gente faz o que quer; no BB não. Venda essa porra logo’, diz Guedes

Certo que será reeleito, Bolsonaro diz que deixe para 2023

Paulo Guedes: Tem que vender essa porra logo

Durante a reunião ministerial de 22 de abril, o ministro da Economia, Paulo Guedesdefendeu veementemente a privatização do Banco do Brasil. O vídeo do encontro teve o sigilo derrubado pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal

“É um caso pronto e a gente não tá (sic) dando esse passo. O senhor já notou que o BNDES e a Caixa, que são nossos, públicos, a gente faz o que quer? (No) Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada, e tem um liberal lá. Entãotem que vender essa porra logo”, opina Guedes.

O presidente do banco, Rubem Novaes, participou do encontro. Em determinado momento, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), pergunta, em direção a Rubem: “O Banco do Brasil não fala nada, não?”.

É aí que Guedes intervém e emite sua opinião sobre o BB. Ele faz menção, ainda, ao fato de o banco ser uma empresa de capital misto, resultante da união entre o Estado e acionistas privados.

“O Banco do Brasil ‘não é tatu nem cobra’. O Banco do Brasil não é tatu nem cobra. Porque ele não é privado, nem público. Então se for apertar o Rubem, coitado… Ele é super liberal, mas se apertar ele e falar: ‘bota o juro baixo’, ele: ‘não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam.” . Aí se falar assim: ‘bota o juro alto’, ele: ‘não posso, porque senão o governo me aperta’ O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”.

“Em 2023 você confessa”

A conversa segue e, então, Rubem Novaes começa a falar sobre a atuação do Banco do Brasil. Ele cita a expansão dos empréstimos feitos pela entidade. Guedes interrompe a explanação e pede para que o presidente do banco ‘confesse’ um sonho.

transcrição da conversa, feita pela Polícia Federal, dá a entender que o suposto ‘sonho’ de Rubem é a venda do Banco do Brasil. Ele começa a falar sobre o tema, quando Bolsonaro faz uma interrupção: ‘Faz assim: só em vinte e três cê (sic) confessa, agora não’.

Rubem, contudo, volta ao assunto. “Em relação à privatização, acho que fica claro que, com o BNDES cuidando do desenvolvimento e com a Caixa cuidando da área social, o Banco do Brasil estaria pronto para um programa de privatização, né?”, pergunta.

É quando Bolsonaro volta a tomar a palavra e reitera que a questão deve ser discutida em 2023. A próxima eleição presidencial, vale lembrar, está prevista para ocorrer um ano antes.

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