11 de agosto de 2020Informação, independência e credibilidade
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No jogo de arrumações, onde vai parar a candidatura de Arthur Lira?

Base de apoio definha, enquanto o bloco do Centrão entra no modo autodestruição

Cada vez mais remota a possibilidade de sucesso na pretensão do deputado alagoano Arthur Lira de chegar à presidência da Câmara Federal, no próximo ano. Todo o poder de articulação que ele demonstrou ao criar um bloco parlamentar com 221 deputados e deputadas cresceu tanto, em tão pouco tempo, que transbordou, dispersou. Talvez mais cedo do que fez na eleição de 2019, quando desistiu, em cima da bucha, de disputar a cadeira com Rodrigo Maia, tudo indica que o caminho de Lira será, de novo, a desistência. A candidatura robusta começa e definhar em alta rotação.

Não bastasse a debandada do MDB e Democratas do antes poderoso Centrão, comandando por Arthur Lira, na Câmara Federal, outros quatro partidos se articulam para dar o fora e formar mais uma força paralela. Numericamente, uma baixa ainda maior do que a ocorrida no começo desta semana, que fez o Centrão perder 63 membros, reduzindo sua força política para 158 parlamentares. Somados, PTB, PROS, PSL e PSC agregam 83 parlamentares. Mais de um terço do grupo formado – e agora esfacelado – sob a liderança de Arthur Lira. Restarão ao Centrão 136 parlamentares. Ainda assim, representa mais de 27% de uma casa composta por 513 membros, mas muito longe do poder de força ostentado anteriormente, que representava 43% dos votos da Câmara e que, juntados à base oficial, garantia maioria absoluta ao governo.

Mas isso é passado – e durou pouco. A maioria ampla, construída à base de promessas e concessões, não era necessariamente sólida e não resistiu ao grande primeiro teste que foi a votação do Fundeb, semana passada. Tão frágil quanto a candidatura de Arthur Lira à presidência da Câmara, desfalecida tão precocemente quanto nasceu. E embora grande parte dessa turma permaneça à disposição do governo, a situação do Planalto já não é tão cômoda na aprovação de projetos de seu interesse.

E vale dizer que toda essa movimentação vai muito mais além da eleição para a nova Mesa Diretora da Câmara, prevista para fevereiro de 2020. Na verdade ela se joga nas projeções e arrumações dos partidos e candidatos com olhos em 2022.

Nesse estágio, o rio corre lento e largo, misturando as águas que movem as correntes eleitorais da Câmara e do Planalto. E estão longe de ser apenas um enfrentamento de extremos entre a direita bolsonarista e a esquerda petista. Ao centro, já correm pretensões bem visíveis que passam pelo PDT de Ciro Gomes, o PSDB de João Dória e Bruno Covas (PSDB-SP), o DEM de Rodrigo Maia, o MDB de Baleia Rossi – que se potencializa para representar o bloco MDB/DEM na disputa da Câmara, abrindo os caminhos do bloco partidário para as eleições presidenciais de 2022).

Mas até lá, muita água ainda vai rolar e se misturar embaixo da ponte que separa (e transcende) as tradicionais disputam entre a esquerda e a direita.

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